Afinal, nem são assim tantos: 12% de todos os empregados em Portugal trabalham no Estado. Um número abaixo média - diz a OCDE no último "Government at a Glance" - e inferior ao que era seis anos antes (13%). Mas os dados publicados ainda não espelham (são de 2006) o que aconteceu desde aí. A corrida precipitada às reformas, o espartilho do três por um, o fim dos recibos verdes, a saída dos mais qualificados para o privado. Esses números só serão mais reais num próximo relatório, mas o que está subjacente é bem mais real.
Na última década alimentou-se a ideia de que o Estado era um monólito. Quase um monstro. Inamovível, pouco interessado, pouco participativo. E ao ritmo de 16 mil saídas por ano esse monstro foi ficando mais pequeno, mais desinteressado, mais frágil. Ficou mais barato mas também ficou pior. Nos próximos três anos, a exigência de reformas na administração pública vão exigir desta máquina o que ela não tem - os melhores, os mais inventivos, os mais empenhados. A redução de estruturas e os cortes orçamentais funcionais deixaram a máquina do Estado à beira da ruptura na altura em que é mais necessária. Não há pacotes legislativos que funcionem sem o contributo dos serviços. E este governo - como o anterior - rapidamente vai perceber que sem vontade política e execução prática não há reforma administrativa que aguente. Não há reformas macros sem planos de pormenor. Para já há vontade política. Falta o resto