A minha vida sem o Facebook

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No passado mês de Julho, Sam Laird desactivou a conta no Facebook, embarcando numa espécie de experiência sociológica. Com a rede social a fazer cada vez mais parte do nosso dia a dia, a ideia era perceber o que estava a perder e o que não lhe fazia falta. Meses depois, relatou a experiência no Washington Post.

Não foi uma decisão impulsiva, nem Sam Laird tem qualquer sentimento de ódio para com o Facebook. Muito pelo contrário, diz adorar as redes sociais e o impacto que têm tido na vida das pessoas em todo o mundo. Não abandonou totalmente o Facebook, mas através de uma série de desactivações aprendeu algumas coisas: que tem saudades de algumas conversas, que está mais focado que antes na sua própria vida e necessidades e que não é a única pessoa a interrogar-se se deve estar ou não no Facebook.

Um artigo recente, publicado no The New York Times, intitulado "Os resistentes do Facebook" fazia o retrato de jovens adultos que não estão na rede e cujas grandes preocupações giram em torno da privacidade e do excesso de informação. Mas Sam estava interessado numa outra questão: num mundo onde parece ser mais bem aceite alguém que está no Facebook, como é não estar?

Desde Julho, diz que sentiu a falta do Facebook do ponto de vista social, mas há outras coisas de que tem saudades. "Durante muito tempo, sempre que surgiam fotos engraçadas dos amigos em saídas nocturnas, senti-me como o único miúdo da escola que não tem televisão", adianta Sam Laird, frisando ainda que "há um mundo imenso de flirts e conhecimentos que para mim desapareceu". Diz ainda que perdeu a facilidade de comunicar com amigos e conhecidos. Como é escritor, também usava o Facebook para encontrar algumas fontes para os seus artigos. Agora, as vias de comunicação que tem são o Twitter (para se manter em contacto com alguns amigos), o LinkedIn (para organizar os contactos profissionais) e, claro está, os agora algo obsoletos email e telemóvel.

Mas o que mais o surpreendeu foi aquilo que gostou ao estar fora do Facebook. Sam começou na passar menos tempo no computador, aproveitando melhor o tempo na vida real. O mesmo aconteceu com o stress das falsas comparações com outros «seres digitais» e a torrente de comentários e posts que, bem vistas as coisas, são na sua maioria inúteis. Sam Laird ganhou tempo para si, e isso foi a maior conquista de estar meses fora do Facebook.

Em resumo, a experiência de Sam permitiu-lhe perceber que o Facebook tornou-se de tal forma parte da vida humana que é quase como uma religião. Pode-se partilhar tudo e mais alguma coisa, mas as coisas, na realidade, não vão dar a lado algum, ou seja, as escolhas por nós ali feitas não vão mudar praticamente nada.

Após cinco meses fora da rede social mais popular do mundo, Sam Laird vai manter a experiência . "Tem sido agradável estar desactivado, mas não vou apagar a minha conta. Vou voltar um dia, isso é certo. Mas agora estou a desfrutar ao máximo a minha vida offline", conclui.

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