Quando no início da pandemia, em Março de 2020, lancei o meu livro manifesto The New Way - uma Agenda de Competência para uma Sociedade de Confiança, vivíamos um tempo de grande expectativa em saber o futuro. Três anos e meio depois, agora que estamos no verão, vivemos tempos complexos e incertos e como sempre uma vez mais vai ser fundamental o imperativo estratégico da mudança para agendar uma base sustentada de competitividade para a nossa economia e a sociedade. A agenda de mudança deverá assentar na inovação e criatividade como fatores centrais de uma nova confiança, de uma ambição global, de uma capacidade de construir soluções para novos problemas. Uma Sociedade da Inteligência. Precisamos dessa atitude neste novo tempo e por isso impõe-se uma cultura de mudança. Precisamos de um New Way para reforçar a nossa confiança estratégica numa sociedade de confiança baseada na competência.
Os conhecidos baixos índices de capital estratégico no nosso país e a ausência de mecanismos centrais de regulação positiva têm dificultado o processo de afirmação dos diferentes protagonistas deste New Way. Independentemente da riqueza do ato de afirmação individual da criatividade, numa sociedade do conhecimento, importa de forma clara pôr em rede os diferentes atores e dimensioná-los à escala duma participação global imperativa nos nossos tempos. Apesar dos resultados de iniciativas diversas na área da política pública, vocacionadas para posicionar o território no competitivo campeonato da inovação e conhecimento, falta uma estratégia transversal.
A consolidação do novo papel do New Way entre nós passa em grande medida pela efetiva responsabilidade nesse processo dos diferentes atores envolvidos - Estado, Universidade e Empresas. No caso do Estado, no quadro do processo de reorganização em curso e de construção dum novo paradigma tendo como centro o cidadão-cliente, urge a operacionalização de uma atitude de mobilização ativa e empreendedora da revolução do tecido social. A Reinvenção Estratégica do Estado terá que assentar numa base de confiança e cumplicidade estratégica entre os atores empreendedores que atuam do lado da oferta e os cidadãos que respondem pela procura.
Cabe naturalmente às empresas um papel claramente mobilizador na afirmação deste New Way em Portugal. Pelo seu papel central na criação de riqueza e na promoção de um processo permanente de reengenharia de inovação nos sistemas, processos e produtos, será sempre das empresas que deverá emergir o capital expectável da distinção operativa e estratégica dos que conseguirão ter resultados com valor alavancado na competitiva cadeia do mercado. Aqui a tónica tem mais do que nunca que ser pragmática, como demonstram as sucessivas ações externas realizadas recentemente.
O pensador espanhol Daniel Innerarity tem toda a razão. Precisamos de um Novo Espaço Público em Portugal. A sociedade portuguesa encontra-se bloqueada e impõe-se um sentido de urgência na emancipação cívica do país. Por isso, em tempo de crise, o Novo Espaço Público terá que ser capaz de responder de forma positiva aos desafios de uma Sociedade Civil ansiosa por respostas concretas aos desafios do futuro. Trata-se duma Nova Ambição, em que a aposta na participação e a valorização das competências, numa lógica colaborativa, têm que ser as chaves da diferença.
O New Way deverá ser capaz de apresentar novas soluções de inclusão social. Um país moderno tem que saber integrar de forma positiva os seus cidadãos. A coesão social faz-se pela participação construtiva e tem que haver uma atitude clara de mobilização para esse esforço nacional de convergência de atuação. A educação na escola tem que forçar a pedagogia e a prática da integração dos desfavorecidos, imigrantes, todos aqueles com défices operativos de participação; têm que ser dinamizadas ações de demonstração do apoio à vontade do contributo de todos. Um Programa para a Inclusão Social tem que saber "integrar de facto".
O New Way deverá ser capaz de projetar novas ideias de competitividade. Está mais do que consolidada a mensagem da urgência da dimensão tecnológica na matriz de desenvolvimento nacional. Um programa para a competitividade tem que forçar dinâmicas efetivas de aposta na tecnologia, seja ao nível a conceção de ideias novas de serviços e produtos, seja ao nível da operacionalização de centros modernos rentáveis de produção, seja sobretudo ao nível da construção e participação ativa em redes internacionais de comercialização e transação de produtos e serviços.
A mensagem de mudança é mais do que nunca atual entre nós. A agenda do New Way que se quer legitimar em Portugal terá que ser capaz de ganhar estatuto de verdadeiro operador estratégico do desenvolvimento do país. Isso faz-se com convergência positiva e não por decreto. Importa por isso, mais do que nunca, estar atento e participar com o sentido da diferença. O laboratório que a nossa sociedade deve constituir neste New Way deve saber mobilizar-nos a todos de forma desafiante e entusiasta.
Economista e gestor, especialista em inovação e competitividade