A paranóia está de volta ao Facebook

A aplicação de mensagens do Facebook foi lançada há três anos, sabe-se lá por que espécie de epifania de Mark Zuckerberg. Nem sequer funcionava muito bem no início, e não dava para perceber o sentido da coisa. Mais uma aplicação para encher o smartphone.
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Mas na semana passada, a coisa tornou-se séria: o Facebook tinha anunciado que será obrigatório usar esta aplicação separada para continuar a falar no chat da rede social, e começou a avisar os utilizadores. Estamos na fase de transição, em que o link para a descarga da aplicação aparece sempre que queremos responder a uma mensagem no chat. Daqui a algum tempo, a capacidade de receber mensagens vai desaparecer da aplicação normal do Facebook.

Porque é que a malta de Menlo Park tomou esta decisão brilhante? Sabe Deus. O Facebook já detém o Instagram e o WhatsApp, e continua a fazer compras; qualquer dia, metade das aplicações sociais no smartphone são todas dele. A diferença, neste caso, é que os utilizadores são obrigados a descarregar o Messenger se quiserem continuar a usar as mensagens em aplicação nativa (quer isto dizer que podem sempre ir ao navegador, entrar no Facebook e usar o chat a partir daí).

Isto de forçar as pessoas é muito pouco simpático, e assim se justifica que a aplicação esteja em primeiro lugar na App Store, mas com a avaliação terrível de apenas uma estrela. O que não se justifica é esta paranóia com o acesso que o Facebook Messenger "de repente" passa a ter a tudo o que é informação confidencial no smartphone. De onde é que saiu esta histeria? As permissões requeridas pela aplicação são exactamente as mesmas da aplicação regular do Facebook. Se são muitas? Se o Facebook usa e abusa dos dados dos utilizadores? Talvez, mas isso é coisa para ter sido lida antes de criar perfil na rede social ("Sim, li e aceito os termos de utilização", lembra-se?).

Dei com algumas partilhas alarmadas no meu feed de notícias sobre o horror desta nova aplicação, que vai aos contactos do smartphone como o gato ao bofe, e ainda tem acesso aos comandos de áudio, calcule-se, a patifaria.

Se alguém vai recusar-se a usar uma aplicação separada para as mensagens no Facebook, que seja porque a ideia é disparatada e forçada, e não por receio de que Zuckerberg esteja a vender informação pessoal à NSA. No caso do iOS, as permissões são "granulares" - as que forem negadas

podem ser necessárias para usar certas funcionalidades, e o utilizador

decide se quer ou não dá-las quando a situação se coloca. No caso do Android, qualquer utilizador saberá que tem de aceitar uma série de permissões (às vezes intrusivas) antes de descarregar uma aplicação, e isso é algo em que a Google devia mexer. O artigo do Huffington Post que muita gente anda a partilhar é precisamente sobre o Android, mas é do ano passado. Quanto a este artigo, que vi amigos meus a partilharem, parte de conhecimentos, no mínimo, duvidosos.

Isto é válido para tudo o que é aplicação para smartphone. Não há neste Facebook Messenger nada de extraordinariamente diferente.

O que há, sim, é uma concepção estranha de utilidade. Tal e qual como a que o Foursquare teve quando achou que era boa ideia partir a aplicação em duas e transferir para uma nova app - a Swarm - aquilo que o caracterizava, os check-ins. Eliminei as duas aplicações, e o Facebook Messenger também foi pelo mesmo caminho - simplesmente porque qualquer conversa no chat do Facebook em desktop ou no tablet também aparecia no smartphone, consumindo dados, emitindo sons irritantes e entupindo as notificações. Se Zuckerberg descobrir como tornar a aplicação útil, volto a instalar.

O USA Today e o Mashable explicam o que é mito e realidade neste 'Big Brother' aparente do Facebook. O BGR explica porque é que a aplicação pede permissões aparentemente desnecessárias.

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