"A ponte da economia entre Espanha e Catalunha não se pode romper"

Juan Rosell, empresário catalão e presidente da confederação patronal espanhola (CEOE) admite preocupação mas acredita que tudo vai acabar bem.
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Os empresários espanhóis estão preocupados com o referendo na Catalunha, marcado para este domingo, mas acreditam que tudo vai acabar bem.

Em declarações este sábado ao jornal El País, Juan Rosell, empresário catalão e presidente da confederação patronal espanhola (CEOE), defende que "a ponte da economia entre Espanha e Catalunha não se pode romper".

"Entre as empresas catalãs e as do resto de Espanha há uma autêntica osmose. Temos tanta história e a relação está tão consolidada, que não podemos pensar em nada fora da realidade. Somos o país da Europa que mais cresce, onde mais aumenta o emprego e o consumo. E há um indicador espetacular que são as exportações. E esta é a realidade", afirma Juan Rosell.

O líder da confederação patronal admite que estão "preocupados" e "assustados", pois os empresários "gostam de segurança, estabilidade, saber para onde vamos e quais são as leis", mas confessa que está "esperançado" de que tudo vai ficar em ordem.

Catalunha representa 20% do PIB de Espanha

Em declarações também a este jornal, o economista e professor catedrático, Emilio Ontiveros, não tem dúvidas em afirmar que "a Catalunha tem uma envergadura suficiente para ser viável de forma independente em termos económicos" mas com a independência "passaria a ter um PIB inferior, sem contar com os custos da transição".

A Catalunha representa 20% do PIB da Espanha, o tamanho de algumas economias na Europa, e o caminho da independência "seria irracional e demolidor", alerta. "Começaria um cenário de grande incerteza, nomeadamente em relação à dívida pública catalã, ao sistema público de pensões, às relações comerciais, e ao rendimento per capita dos catalães e dos espanhóis que acabaria também por ser prejudicado", antevê Ontiveros.

Em 2016, o PIB da Catalunha, região que concentra 16% da população espanhola, atingiu os 223,6 mil milhões de euros - um valor superior ao de Portugal que foi de 184,9 mil milhões - e o rendimento per capita foi de 28.600 euros em 2016, só atrás da região de Madrid, País Basco e de Navarra. A média de Espanha foi de 24 mil euros. Em Portugal foi de 17.934 euros.

Dados do Instituto Nacional de Estatística espanhol indicam que o PIB catalão cresceu 3% no final do segundo trimestre deste ano, apenas menos uma décima do que o espanhol. A taxa de desemprego foi de 13,2%, enquanto que a do país atingia os 17,2%.

O economista salienta ainda que a Catalunha tem crescido mais do que a média em Espanha, que a criação líquida de empresas é "mais do que aceitável", que as exportações são favoráveis e que o investimento estrangeiro está a aumentar.

"Provavelmente o bom comportamento das variáveis financeiras tanto da Catalunha como da Espanha tem a ver com a presunção de que a maioria dos investidores, das agências, estão a assumir que não haverá um desenlace drástico que ponha em perigo o alto grau de integração financeira que existe entre uma economia e outra".

A Catalunha é, de longe, a principal região exportadora de Espanha, com cerca de 25% das vendas do país ao estrangeiro em 2016 e no primeiro trimestre de 2017.

A região atraiu cerca de 14% do total do investimento estrangeiro em Espanha em 2015, ficando na segunda posição, muito atrás de Madrid (64%) mas à frente de todas as outras regiões, segundo dados do Ministério da Economia.

Barcelona é a sede do ativo mais relevante da região, o CaixaBank, o maior banco de retalho de Espanha e o dono do BPI; e de grandes empresas como o grupo têxtil Mango, do grupo energético Gas Natural, da empresa de gestão de autoestradas Abertis, e da empresa de moda e perfumes Puig, dona das marcas Nina Ricci, Paco Rabanne e Jean-Paul Gualtier, entre outras.

A Catalunha concentra ainda cerca de metade de toda a produção química em Espanha e era a segunda região do país em número de automóveis fabricados, com 19% da produção nacional. A Nissan e Volkswagen (com a marca Seat) possuem várias fábricas na região. A Espanha é o segundo maior fabricante europeu de carros na União Europeia atrás da Alemanha.

A economia da região é também marcada pela área das biociências (7% do seu PIB) e é a primeira região da Europa em número de empresas farmacêuticas por habitante. O centro de referência da Bayer em Espanha está localizado em Barcelona.

O número de empregos no setor privado ascende a 1,8 milhões, sendo que 1,24 correspondem a empresas familiares. Das 635.704 empresas ativas na Catalunha, 25,8% pertencem ao setor da construção e atividades imobiliárias, e 22,5% ao comércio.

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