A quem pertencem os seguidores do Twitter?

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Se alguém cria uma conta de Twitter relacionada com o seu trabalho, a quem pertence quando muda de emprego? É isso que um tribunal californiano vai decidir num dos mais insólitos processos legais da era social.

O caso é relatado no New York Times e começou em Outubro de 2010, quando o escritor Noah Kravitz deixou o seu emprego no site de telemóveis Phonedog.com. Estava lá há quase quatro anos.

Durante este tempo, criou uma conta no Twitter com o nome Phonedog_Noah e conquistou perto de 17 mil seguidores. Quando decidiu sair, a empresa deixou-o manter a conta e os seguidores em troca de actualizações ocasionais.

De acordo com Kravitz, a Phonedog pediu-lhe para "escrever no Twitter em seu nome de tempos a tempos", ao que respondeu afirmativamente, até porque a sua saída foi amigável.

Noah mudou então o nome de Twitter para NoahKravitz e manteve todos os seguidores. A empresa é que acabou por não gostar: em Junho deste ano a PhoneDog processou-o alegando que a lista de seguidores no Twitter era na verdade uma lista de clientes. A empresa pede 2,50 dólares por mês por cada seguidor. Contas feitas? Pede 340 mil dólares de indemnização.

Kravitz disse ao NYT que este processo não passa de uma retaliação, por ele ter pedido 15% das receitas brutas de publicidade no site (devido à sua posição como parceiro e em pagamento pelos serviços de blogger e revisor de vídeos).

A PhoneDog, por seu lado, escreveu em comunicado que "os custos e recursos investidos pela PhoneDog Media para o crescimento da lista de seguidores, fãs e conhecimento geral da marca nas redes sociais são significativos e considerados propriedade da PhoneDog Media L.L.C. Pretendemos proteger agressivamente as nossas listas de clientes e informação confidencial, propriedade intelectual e marcas registadas".

A forma como o tribunal lidar com este caso será muito importante, já que pode abrir vários precedentes: primeiro, na legitimidade ou não que uma empresa pode pedir sobre a conta de Twitter de um empregado, que possivelmente a actualiza durante o expediente, e segundo na conta que será feita para determinar o valor monetário de um seguidor no Twitter.

Esta métrica não é fácil e depende do quão influente uma opinião é no Twitter - um dos especialistas que falou com o New York Times refere que na maioria das vezes, as opiniões são menos influentes que o que se pensa. A não ser que se trate do Justin Bieber ou da Lady Gaga, claro.

É expectável que este tipo de questões surja cada vez mais. Várias empresas instam os trabalhadores a criarem contas de Twitter, que para chamar a atenção incluem o nome da marca. Quando o empregado sai, os seguidores são seus ou da empresa? O caso de Kravitz deve ajudar a responder a esta questão.

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