Ao longo de décadas, muitos visionários têm projetado um futuro em que os robôs serão vulgares, fazendo de tudo, desde limpar casas até servir comida em restaurantes. Tal visão ainda não se materializou nos dias de hoje, mas a inteligência artificial, a mobilidade e a conectividade tornaram os robôs mais avançados do que nunca, podendo-se mover, segurar, executar tarefas, até "pensar" e operar com um alto nível de autonomia.
Os grandes retalhistas, como a Walmart, estão adoptando cada vez mais robôs nos entrepostos e nas lojas, tendo, em Abril deste ano, adquirido uma nova frota de 1.500 robôs autônomos de limpeza e 300 robôs de leitura de prateleiras.
A Amazon, por sua vez, tem já hoje mais de 100.000 robôs operando nos seus centros de distribuição de todo o mundo e está continuamente procurando novas aplicações robóticas.
Novas capacidades cognitivas e de navegação permitiram que os robôs se tornassem mais ágeis e assumissem cada vez mais tarefas, desde mover produtos nos centros de distribuição até ajudar a direcionar os clientes no ambiente e espaço da loja.
Enquanto a conectividade Wi-Fi, os avanços na Internet das Coisas e da inteligência artificial têm vindo a aumentar, também os respectivos custos têm vindo a cair, permitindo que muitos retalhistas possam pensar em introduzir na sua operação inovações tecnológicas.
Por exemplo, a Schnuck Markets, uma cadeia de supermercados americana com mais de 100 lojas, implantou robôs Tally (fabricados pela Simbe Robotics) em nove das suas lojas e está em vias de implantar em mais seis, os quais atuam três vezes ao dia para contar cerca de 30.000 SKUs, exceto os produtos frescos e congelados. Os robôs percorrem ainda as lojas em rotas predeterminadas, durante o horário normal de abertura, para capturar imagens dos lineares em 2D e 3D e processam essas informações em tempo real usando a sua visão computacional.
Uma outra cadeia de supermercados norte-americana, a Águia, com mais de 470 lojas implantou igualmente robôs Tally em três das suas lojas que libertaram muitos colaboradores das tarefas de inventário para se concentrarem mais na interação com os clientes.
E estes retalhistas que implantaram robôs para processos de inventário reconhecem que há um forte retorno sobre o investimento uma vez que oferecem um ROI claro, não apenas economizando horas de trabalho humano, mas permitindo várias contagens e obtendo dados mais precisos, oportunos e rigorosos.
Um outro exemplo: Pepper, é um robô humanoide construído para interagir com os humanos, nomeadamente, para receber os clientes que entram nas lojas e prestar-lhes informações ou encaminhá-las para um colaborador. Atualmente, este robô está sendo usado em restaurantes fast-food em Tóquio, onde liberta a equipa para se concentrar mais na relação com os clientes. E no ano passado, o HSBC Bank lançou a Pepper na sua principal sede em Manhattan para saudar os clientes, agilizar as operações das filiais e permitir que os funcionários possam dar mais atenção aos clientes.
O relacionamento dos robôs com os seres humanos tornar-se-á um fator cada vez mais importante à medida que a tecnologia se vulgarizar, uma vez que geram muitos benefícios especialmente quando se trata de tarefas monótonas ou repetitivas, pois não ficam entediados, distraídos, cansados ou frustrados, não questionam o trabalho que lhes é atribuído, não necessitam de tempos de descanso, férias ou dias de folga e não fazem greve.
Estas capacidades permitirão cada vez mais complementar e melhorar o trabalho humano em vez de substituí-lo, libertando as pessoas das tarefas monótonas ou pesadas e permitindo-lhes mais tempo para serem mais criativos e produtivos. Não há que temer o futuro robótico e, pelo contrário, estou mesmo convencido que a robótica será um efetivo factor de libertação do ser humano.
Investigador da UNIDCOM/IADE/IPAM