Um computador na sala ou no quarto foi um dos sinais do progresso e da modernidade das famílias até há três décadas. No início, o seu uso doméstico era muito limitado - trabalhos escolares, jogos e pouco mais.
Com o advento da internet, tudo mudou. O mundo transferiu-se, literalmente, para as nossas casas. E com tudo de positivo que esta abertura significou, também passámos a conviver com um lado negativo de dimensões e alcance desconhecidos. Mas fomos empurrando o lado mau com a barriga, confiantes de que o lado bom se sobreporia naturalmente, e que, no final do dia, a contabilidade entre vantagens e desvantagens daria crédito ao lado certo.
Puro engano.
O espaço digital tornou-se um campo de batalha. Dos desafios bárbaros, criminosos, do TikTok à cibercriminalidade, o nosso computador e o nosso dispositivo móvel trouxeram uma desproteção impensável às nossas vidas. Estamos vulneráveis como nunca.
E se as empresas estão a começar a construir uma blindagem mais robusta, investindo milhões na proteção do seu negócio e dos seus dados, os consumidores continuam dependentes da sua capacidade de antecipar ameaças, da sua literacia e de ferramentas que, pontualmente, vão sendo criadas.
Os cibercriminosos têm noção clara desta impreparação, desta nossa porta escancarada para o risco - segundo o Centro Nacional de Cibersegurança, 40% dos incidentes registados exploraram o fator humano.
Hoje, compramos em sites ou aplicações que não conhecemos bem, usamos o MBWay sem fazer ideia dos riscos, e, na época da partilha de tudo, vamos carregando alegremente em links que alguém nos vai fazendo chegar por mensagem ou por email.
No caso da Deco Proteste, agimos e criámos uma plataforma que pretende ajudar a defender os consumidores, permitindo-lhes avaliar se um site tem phishing, malware, vírus e outras ameaças digitais. Para evitar que os consumidores sejam vítimas de burlas e fraudes a partir da internet, criámos, em conjunto com o ScamAdviser, o "Este site é seguro?", uma ferramenta online que ajuda a determinar se um site ou link que recebeu, por exemplo, através de SMS ou e-mail é ou não seguro antes de o visitar.
Acrescente aos seus cuidados a complexificação das palavras-passe, a dupla verificação dos acessos, a ativação de um antivírus eficaz (e atualizado), a não partilha de informação sensível através de meios digitais, entre outros cuidados básicos e amplamente conhecidos e negligenciados.
E se já foi, ou está a ser, vítima de algum esquema fraudulento online, apresente queixa eletrónica na PJ e ao Gabinete de Cibercrime do MP, e denuncie na nossa Plataforma Reclamar.
No ano passado, foram reportados 293 milhões de incidentes de cibersegurança em todo o mundo. Evite fazer parte das estatísticas.
Rita Pinho Rodrigues, diretora de Comunicação e Relações Institucionais da Deco Proteste