A tragédia grega

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É fácil olhar para a

Grécia como um exemplo bizarro de insanidade política. E há, em boa

verdade, uma dose de loucura no que foi anunciado anteontem. Com

os mercados ainda a ressacarem de um plano europeu mal acabado,

Atenas atirou-se para uma consulta popular sem avisar ninguém.

Jogada política? Pressão interna? Não interessa. Até eleições

antecipadas seriam melhor opção.

Desde o último Tratado

Constitucional (chumbado por holandeses e franceses), que todos os

referendos sabem a óleo de fígado de bacalhau: são saudáveis, mas

deixam um travo horrível.

Politicamente, a União

está destroçada. O excesso de austeridade abriu um abismo de

representação e, em todos os países (credores e devedores) os

eleitorados já não se revêem no grande plano europeu. Resta saber

por quanto tempo é que a Europa será solidária.

No plano

económico, duas coisas vão acontecer muito rapidamente. Primeiro, o

novo fundo de estabilidade financeira vai acelerar para impedir o

contágio a Espanha e Itália. Esses planos devem ser detalhados e

fechados, mesmo se a Grécia não avançar para um referendo.

Segundo, a banca será rapidamente recapitalizada para evitar uma

falha sistémica. Mesmo que o corte de 50% na dívida grega seja

minado pelos problemas em Atenas, o perímetro de segurança fica

fechado. O plano para uma zona euro 2.0 - há muito delineado - só

precisava desta justificação política. Berlim dirá que não pode

ajudar os que não querem ser ajudados e preocupar-se-á com a

hecatombe nos mercados. Portugal tentará ficar deste lado da

barricada. E a Europa terá na Grécia a sua Argentina depois de ter

tentado tudo - e falhado redondamente.

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