A vingança do 5G em Barcelona

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Uma das ausências mais notadas na grande feira de tecnologia CES em Las Vegas, que decorreu em Janeiro, foi movimento em torno do 5G. Tirando uma ou outra sessão de debate e o marketing de algumas empresas, a nova geração de comunicações móveis esteve praticamente de fora do evento maciço.

Não é que a CES seja conhecida por dar um grande foco às telecomunicações e dispositivos móveis, mas esta componente tinha sido bastante mais visível em anos anteriores. O 5G apareceu revestido de promessas de revolução, capaz de mudar tudo na saúde, educação e indústria.

Mas com uma economia global aos solavancos e diferentes ritmos de implementação, a tecnologia deixou de estar na linha da frente. As empresas parecem mais interessadas em explorar Inteligência Artificial, visões do metaverso e modelos de trabalho híbrido. Há uma espécie de pausa no surgimento de novas aplicações e casos de uso para a tecnologia. Mesmo em termos de publicidade, há uma quebra notória no tema.

É assim que chegamos ao Mobile World Congress (MWC), que decorre esta semana em Barcelona. O regresso de um dos eventos tecnológicos mais importantes do ano de forma plena, após os cancelamentos e adiamentos da pandemia, dará palco à revitalização do entusiasmo em torno do 5G, agora com foco na sua rentabilização. Os dados da S&P Global Market Intelligence indicam que, no final de 2022, cerca de 238 operadores móveis tinham lançado serviços comerciais de 5G em 94 mercados. Como é que, num momento em que as empresas se debatem com a incerteza e os consumidores apertam o cinto, o investimento poderá ser monetizado?

Esse é um dos debates que teremos em 2023, com muitas empresas focadas em explorar ideias no MWC. A Ericsson, que abriu o congresso com uma keynote do CEO Börje Ekholm, apresentou uma imagem favorável do papel da tecnologia no mundo. Ekholm disse que o 5G vai impulsionar ainda mais a digitalização e a economia de aplicações e que a conectividade é "uma necessidade humana básica."

Para a GSMA, que organiza o MWC, o tema é acelerar a monetização das redes e o seu desenvolvimento, através de software e inovação digital. E embora parte da conversa já seja sobre o 6G - um "caminho evolucionário" natural - o foco estará na demonstração de casos de utilização real de 5G que demonstrem a diferença em relação a todas as gerações móveis anteriores. De particular importância será também a visão de um 5G que surge como alternativa a acessos fixos de conectividade.

Foi com a tecnologia em mente que o presidente da Huawei Carrier BG, Li Peng, falou na sua apresentação no congresso. Peng falou de "reimaginar o negócio 5G", reforçar a sua cobertura e "reinventar" as tecnologias associadas. O executivo também apelou à indústria para que coopere de forma a "acelerar a prosperidade do 5G." E ainda falou da evolução para a geração 5.5G, que será "mais rápida, mais automatizada, e mais inteligente" que o 5G, suportando também mais frequências.

É inerente à indústria estar sempre à procura da próxima grande coisa e olhar continuamente para o futuro, daí este "buzz" que começa a surgir em torno do 5.5G e do 6G. Mas mesmos os números mais estonteantes de velocidade e capacidade são incapazes de entusiasmar para lá da conversa inicial. Afinal, para que serve este salto se os consumidores estão a fazer coisas semelhantes com os smartphones e as empresas não passam das provas de conceito?

Está mais do que na altura de virar este holofote para aplicações realmente inovadoras, que justifiquem o investimento maciço que está a ser feito em implementações 5G desde 2019.

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