Fundada em 1999, num espaço com 5 metros quadrados, na Ribeira Brava (Madeira), a Acin prepara-se para mais do que duplicar a faturação de 10 milhões de euros deste ano com a expansão internacional. Luís de Sousa, um dos fundadores e administradores da empresa de soluções em iCloud, sente-se ainda orgulhoso por a antiga academia de informática ser, hoje, a semente do futuro “Brava Valley” - um ecossistema de empresas tecnológicas da Madeira, apoiadas pelo Governo Regional.
“O bug do ano 2000 foi a nossa primeira oportunidade de prestar serviços às Câmaras. Tratámos dos computadores de 10 das 11 autarquias da Madeira”, recorda Luís de Sousa, cuja formação em informática era “100% autodidata”. Durante quase uma década, a empresa sobrevivia - já em 200 metros quadrados - e estava a ganhar dinheiro, mas “só comprava fora para vender, não estava a gerar valor e, por isso, não tinha potencial de crescimento”. Em 2008, tomaram a decisão de criar produto próprio.
“Sabíamos que tinha de cumprir algumas regras para ser viável: tinha de ser na cloud, porque estamos na Ribeira Brava e tínhamos de poder prestar assistência a partir daqui; e tinha de ser de uso obrigatório por algum imperativo legal”, recorda o empresário, que começou por contratar um programador recém-licenciado da Universidade da Madeira e, hoje, é o maior empregador do concelho, com 150 funcionários. “Para o ano, vão ser 200”, diz Luís de Sousa, revelando que a empresa está a recrutar 60 licenciados em Matemática “que vão ser reconvertidos, em sete meses, para a programação informática”. A nova sede de 5 milhões de euros, tem espaço para todos.
Regressando ao produto, entre as oito plataformas eletrónicas da Acin contam-se a iParque (gestão de estacionamento em Portugal e Espanha), finalista dos Prémios Inovação NOS do ano passado, e a Acingov, a plataforma de compras públicas finalista dos Prémios Inovação NOS 2016. “Foi a última plataforma de compras públicas a chegar ao mercado e ainda este ano vai chegar à liderança, com cerca de 30 mil empresas fornecedoras”, afirma Luís de Sousa, que participou no desenvolvimento da plataforma no âmbito do mestrado em Direito e Administrativo e Contratação Pública concluído em 2008.
A inovação das plataformas Acin e funcionamento na cloud, imposto pela desvantagem geográfica, é hoje a maior força da empresa que se prepara para duplicar a faturação em 2017. “A partir de abril vamos ter filial na África do Sul e estamos a negociar um grande projeto com o Canadá”, adiantou Luís de Sousa, sem revelar mais sobre a estratégia que elevará a faturação para mais de 20 milhões.