Para alguém que manda chover só em Londres se for preciso, Rupert Murdoch tem muito que aprender com o básico da rede social Twitter. O dono da gigantesca News Corp, a casa-mãe de insígnias como a 20th Century Fox, Sky, Harper Collins, The Times, Wall Street Journal, Fox ou Blue Sky Studios, decidiu começar 2012 abrindo uma conta no Twitter.
Não passou despercebido, é claro. Não só por ser quem é, o poderoso magnata que mandou fechar o jornal News of the World em Inglaterra depois de um escândalo de escutas ilegais, mas também pelo teor do que tem escrito.
Dois dias depois de abrir a conta @rupertmurdoch, o australiano já tem perto de 59 mil seguidores e escreveu 17 tweets. E o que escreveu ele? O primeiro tweet foi "Have just. Read. The Rational Optimist. Great book" (que raio se passa com estes pontos finais...).
Ora não é preciso dizer qual é a editora deste livro, pois não? Depois, sabe-se lá porquê, fez o contrário e escreveu que a biografia de Steve Jobs era "interessante mas injusta" e que a família devia "odiar" o livro publicado pela Simon & Schuster.
A partir daí foi sempre a subir. Elogiou o editorial do Wall Street Journal, queixou-se da confusão em St Barths, congratulou-se pelo filme Descendants (da Fox, claro) e depois disse que adorava o "We bought a Zoo", também da Fox (claro).
Murdoch devia saber que os utilizadores do Twitter não costumam apreciar muito a auto-promoção descarada, mas talvez ninguém lhe tenha dito. As reacções aos tweets de Murdoch foram muitas e negativas em boa parte dos casos; o jornal Guardian escreveu mesmo um artigo chamado: "Rupert Murdoch - here are my top Twitter tips - feel free to RT".
Murdoch não deve ter ligado muito. Entre o desejar de um feliz ano novo e dizer que estava de volta ao trabalho, começou a interagir com algumas pessoas na rede - dentro do possível, visto que segue apenas 5 e a sua mulher não está incluída no pacote.
Mas ela segue-o e passou-lhe um raspanete virtual quando Murdoch escreveu "Maybe Brits have too many holidays for broke country!". Assim que leu este desabafo em jeito de crítica sobre os feriados no Reino Unido, a mulher Wndi Deng twittou: "RUPERT!!! delete tweet!". E ele obedeceu.
Não é por acaso, portanto, que os amigos de Murdoch estão muito preocupados com o que ele poderá dizer no Twitter, conforme ele próprio indica num tweet. O magnata opinou ainda que era "óptimo" ver que Mike Bloomberg está finalmente a ser premiado por ser "o melhor mayor" de que há memória em Nova Iorque.
Ainda houve lugar a disparates de forma. Murdoch não devia ter percebido a diferença entre a caixa de pesquisa e a caixa de twets e a meio do dia apareceu uma coisa estranha no seu feed: "Alan-sugar". Claramente andava à procura da conta do barão que controla o Amshold Group e é conhecido pelo programa The Apprentice (a sua conta, já agora, é Lord_Sugar). O tweet foi apagado rapidamente.
Entre os milhares de comentários sarcásticos à entrada de Murdoch na rede social, fica a questão: porque é que um dos homens mais poderosos do mundo, que nunca gostou deste tipo de interacção ou exposição, abriu uma conta no Twitter?
É possível que queira comunicar de forma mais directa, agora que a sua imagem ficou chamuscada pelo News the World.
Ou então quer experimentar uma fatia do bolo antes de o comprar...
JornalistaEscreve à terça-feiraEscreve de acordo com a antiga
ortografia