Agepor diz que retorno das greves é "péssimo sinal para os portos"

Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Administrações Portuárias também acusou as administrações portuárias de "ausência total de disponibilidade" para dialogar sobre a proposta de revisão salarial para 2023, tendo feito "vários pedidos de reunião" que ficaram sem resposta, "nomeadamente por parte das administrações de Sines e de Lisboa"
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A Associação dos Agentes de Navegação de Portugal (Agepor) considerou esta segunda-feira que o retorno das greves aos portos portugueses é um "péssimo sinal" para o setor, segundo um comunicado divulgado.

"A Agepor vê com grande apreensão o retorno das greves aos portos portugueses", lê-se na mesma nota, que recordou que "recentemente ocorreu uma greve dos pilotos das barras e agora é a vez dos trabalhadores das Administrações Portuárias".

"São greves com natureza diferente das que foram protagonizadas pelos estivadores - com essencial impacto no porto de Lisboa - durante anos a fio", realçou a entidade, considerando que ainda assim "não deixam de ser um péssimo sinal para os portos".

De acordo com a Agepor, "os armadores internacionais e os armadores nacionais vão ser afetados por estas novas perturbações e corre-se o risco de gradualmente ver os portos portugueses conotados como locais de frequente conflitualidade laboral".

"Sabemos que se vive um momento particular em que a inflação, a alteração das perspetivas económicas, e outros fatores políticos, contribuem para um maior potencial de conflitualidade", destacou a Agepor, reconhecendo que "há algumas matérias em causa que são delicadas e de muito difícil solução" e "que há expectativas a ter em conta".

"Mas o que esperamos é que os diferendos existentes possam ser rapidamente superados", destacou, apelando a "soluções imaginativas".

"Os impactos das greves não são apenas os prejuízos imediatos que causam a muitos, incluindo às partes e a toda a comunidade portuária. Mais do que isso as greves matam o futuro dos portos", lamentou a Agepor.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Administrações Portuárias (SNTAP) convocou uma greve de vários dias, que começou em 22 de dezembro e se prolonga até 30 de janeiro e abrange os portos do continente, Madeira e Açores.

De acordo com o documento enviado ao Governo, secretarias regionais e administrações portuárias, os trabalhadores dos portos do continente e da Madeira vão estar em greve "das 00h00 do dia 22 de dezembro até às 24h00 do dia 23 de dezembro", "das 00h00 do dia 27 de dezembro até às 24h00 do dia 29" e "das 00h00 às 24h00 dos dias 2, 6, 9, 13, 16, 20, 23, 27 e 30 de janeiro".

O sindicato acusa as administrações portuárias de "ausência total de disponibilidade" para dialogar sobre a proposta de revisão salarial para 2023, tendo o SNTAP feito "vários pedidos de reunião" que ficaram sem resposta, "nomeadamente por parte das administrações de Sines e de Lisboa".

Os representantes dos trabalhadores apontam ainda a "subsistência de graves situações" de violação da legislação e do acordo coletivo de trabalho em vigor, incluindo um caso que classifica como "assédio laboral" a um trabalhador do porto de Sines.

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