Agricole e Bradesco perdem 825 milhões de euros com BES. Franceses ameaçam processar

"Enganado". Foi esta a expressão que Jean-Paul Chifflet, presidente do Crédit Agricole escolheu para definir como se sentia em relação à família Espírito Santo.
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Com a passagem das participações para o BES-mau - banco no qual ficam todos os ativos tóxicos que estavam no BES - os acionistas históricos Crédit Agricole (14,6%) e Bradesco (3,9%) perderam o investimento que tinham na instituição anteriormente liderada por Ricardo Salgado.

No conjunto, o acionista francês e os brasileiros terão de assumir perdas de 825 milhões de euros. Um montante que penaliza as contas das duas instituições.

No caso do Crédit Agricole estas perdas já foram refletidas nos resultados semestrais. O banco francês assumiu um perda de 708 milhões de euros relacionada com o BES.

"Apenas podemos lamentar ter sido enganados pela família com a qual o Crédit Agricole tentou criar uma verdadeira parceria para construir o maior banco privado em Portugal", afirmou Jean-Paul Chifflet na conferência de apresentação de resultados.

Já o Bradesco revelou ter de realizar um ajustamento não recorrente da participação que detinha no BES e que terá impacto nas contas do terceiro trimestre.

"O ajuste se dará mediante o provisionamento de 100% do investimento, com efeito no lucro líquido do terceiro trimestre, no valor aproximado de 356 milhões de reais" [117 milhões de euros], adiantou a instituição brasileira num comunicado enviado ao Dinheiro Vivo.

O presidente do Crédit Agricole ameaça mesmo avançar com um processo contra a antiga administração liderada por Ricardo Salgado.

O Dinheiro Vivo questionou o Bradesco se iria seguir o mesmo caminho, mas os brasileiros não quiseram fazer mais comentários à situação do BES.

Para já, o facto de os bons ativos (depósitos e créditos) terem sido transferidos para o Novo Banco está a despertar interesse de mais investidores, tal como noticiou o Dinheiro Vivo.

Segundo o site espanhol El Confidencial, o Santander, BBVA e Sabadell estão interessados na aquisição do novo banco. O Santander - que tem já uma operação em Portugal - será aquele que está melhor posicionado, tendo já equipas dedicadas a estudar o dossier. Aliás, o próprio presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro, já tinha admitido nos resultados semestrais do banco que estava a "olhar para todas as oportunidades", nomeadamente o BES.

Na terça-feira, 5 de agosto, também ficou a saber-se que o antigo presidente do BES, Ricardo Salgado, já pagou a caução de 3 milhões de euros a que estava sujeito, depois de ter sido ouvido no âmbito do processo Monte Branco.

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