Os restaurantes, similares e hotelaria tem vindo a sentir os efeitos da eleva fatura da pandemia covid-19. Estas empresas têm registado quebras sucessivas na faturação, o que tem efeitos sobre o emprego, pagamento de salários e outros custos fixos. A insolvência é cada vez mais o caminho que muitos equacionam.
O inquérito da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), realizado no final do mês passado, indica que 40% das empresas de restauração e bebidas "ponderam avançar para insolvência, dado que as receitas realizadas e previstas não permitirão suportar todos os encargos que decorrem do normal funcionamento da sua atividade".
As firmas deste setor, que responderam, indicaram que a quebra de faturação em novembro foi "avassaladora", sendo que 56% das empresas tiveram perdas acima dos 60%. Perante esta diminuição acentuada de receitas, cerca de 16% das empresas indicou que não conseguir pagar salários no mês passado. E 15% só o fez parcialmente.
Além disso, outro efeito fruto da quebra de receitas é que 46% das empresas já despediram funcionários desde o início da pandemia, em março. Deste leque de empresas, perto de um terço - 30% - reduziu o número de funcionários entre 25% e 50%, e 17% reduziram em mais de 50%. Mas as consequências não se ficam por aqui: "cerca de 17% das empresas assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano".
Os participantes neste inquérito foram questionados sobre o novo Programa Apoiar. E 46% das empresas referiram não ter apresentado candidatura". Por outro lado, mais de 48% das empresas diz que, se não tiverem incentivos a fundo perdido, nos próximos dois meses não têm tesouraria suficiente para manter os seus negócios.
"Cerca de 78% das empresas explora os seus negócios em espaços arrendados. 62% das empresas já tentaram reduzir o valor da renda mensal. No entanto, 65% dos senhorios não aceitou qualquer redução. As rendas comerciais pesam, em regra, 20% dos custos de funcionamento. Perante esta situação, 45% dos arrendatários já estão em incumprimento (65% já tem 3 ou mais meses de rendas em atraso)".
A questão das rendas - um custo fixo - tem sido um dos pontos pelos quais a AHRESP se tem mais batido nas últimas semanas. Na semana passada, houve encontros com o ministro da Economia, em que a associação participou, e hoje Siza Vieira vai anunciar mais apoios para as empresas.
Hotelaria
No que diz respeito às unidades de alojamento para turistas, o panorama não é muito melhor. O inquérito da AHRESP mostra que 39% das empresas de alojamento turístico não registaram qualquer ocupação no mês de novembro e 32% teve uma ocupação máxima de 10%. "Para o mês de dezembro, cerca de 45% das empresas estimam uma taxa de ocupação zero, e mais de 32% das empresas perspetivam uma ocupação máxima de 10%. Para os meses de janeiro e fevereiro a estimativa de ocupação zero agrava-se, sendo referida por mais de 56% das empresas", pode ler-se no comunicado.
Além disso, perto de 20% das empresas assumem que ponderam avançar para insolvência por não conseguirem suportar todos os normais encargos da sua atividade. A quebra de faturação no mês passado "foi devastadora": 39% das empresas registaram perdas acima dos 90%. Perante este cenário, mais de 25% das empresas não conseguiram pagar salários em novembro e 9% só o fez parcialmente.
"Ao nível do emprego, 28% das empresas já efetuaram despedimentos desde o início da pandemia. Destas, 33% reduziram o quadro de pessoal entre 25% e 50%, e cerca de 27% reduziram em mais de 50% os postos de trabalho a seu cargo. Mais de 14% das empresas assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano".
Quanto ao novo Programa Apoiar, 65% das empresas - quando o inquérito foi realizado - disseram que não tinham apresentado candidatura. Ainda sobre este mecanismo de apoio, 32% das empresas de alojamento turístico notou que se não tiverem incentivos a fundo perdido, nos próximos 2 meses não dispõem de tesouraria suficiente para manter os seus negócios.