Jeff Bezos, CEO da Amazon, não quer ninguém a trabalhar sem
vontade na empresa que dirige. Por isso, uma vez por ano, os cerca de
40 mil trabalhadores dos centros de armazenamento da companhia tem
oportunidade de aderir ao programa "Pay to Quit", em que podem
receber até cinco mil dólares (3600 euros) para deixarem a empresa.
"Nós esperamos que não aceitem a oferta. Nós queremos que
fiquem. Mas por que é que o fazemos? O objetivo é encorajar as
pessoas para que parem por um momento e pensem naquilo que realmente
querem. A longo prazo, um empregado que permaneça onde não quer
estar não é saudável nem para o próprio nem para a empresa",
justifica Jeff Bezos na carta anual aos investidores, publicada esta
semana.
No primeiro ano que o trabalhador recebe a proposta, intitulada
"Não aceite esta oferta", são oferecidos dois mil dólares
(1440 euros) e o valor sobe mil dólares (721 euros) a cada ano
seguinte, até ao máximo de cinco mil dólares. A ideia não é
original de Jeff Bezos, mas sim da Zappos, a loja de sapatos online
que foi comprada pela Amazon em 2009. Inicialmente, a oferta era
feita apenas uma vez, pouco tempo depois dos funcionários começarem
a trabalhar na empresa. Atualmente, é proposta até quatro anos
depois dos empregados integrarem o gigante online.
Mas as políticas de emprego da Amazon não ficam por aqui. Na
carta aos investidores, onde chama de "Amazonians" aos
funcionários da empresa, Jeff Bezos diz que a companhia se desafia
não só para introduzir inovações nos seus serviços, mas também
nos processos internos - "procedimentos que nos tornarão mais
eficazes e que beneficiarão milhares de trabalhadores em todo o
mundo". Um destes exemplos é o programa "Career Choice", onde
a companhia paga antecipadamente 95% das propinas de cursos com
grande procura, como mecânica aeronáutica ou enfermagem,
independentemente se estas competências são relevantes para a
empresa. "O objetivo é permitir a escolha. Sabemos que para alguns
dos nossos trabalhadores, a Amazon será uma carreira. Para outros, a
Amazon poderá ser apenas um degrau no caminho para um trabalho
noutro lugar - um emprego que pode requerer novas competências. Se
a formação certa pode fazer a diferença, nós queremos ajudar",
defende o CEO.
Outra das inovações internas é o Contact Center virtual, ideia
iniciada há poucos anos e que está a crescer com "excelentes
resultados". Neste programa, os empregados fornecem suporte de
atendimento aos clientes da Amazon e Kindle a partir da própria
casa. A flexibilidade é "ideal para muitos trabalhadores", e é
o setor dentro da empresa com o maior crescimento nos Estados Unidos,
operando em mais de 10 estados atualmente. O objetivo é duplicar
esta presença ainda este ano.
A empresa de vendas online tem também um programa de contratação
de veteranos das forças militares, acreditando que estes
profissionais podem desempenhar funções de liderança. "Nós
procuramos líderes que possam inovar, pensar em grande, motivados
para agir e que apresentem resultados em nome dos clientes. Estes
princípios são familiares aos homens e mulheres que serviram o país
nas forças armadas", refere Jeff Bezos. Como resultado, a Amazon
contratou em 2013 mais de 1900 veteranos, tendo vários programas
para facilitar a transação destes profissionais para a vida civil.