A fortuna de Américo Amorim ficou reduzida em cerca de um quarto (24,7%) devido à desvalorização de cerca de 20% das ações da Galp Energia - onde é o maior acionista - e à venda de 35% do Banco BIC, que ajudou a fundar em 2005 em Angola. A valorização de cerca de 40% da Corticeira Amorim evitou maiores perdas para o dono desta empresa.
Alexandre Soares dos Santos, apesar de manter a segunda posição, aproximou-se da liderança da tabela. O presidente do conselho de administração da Jerónimo Martins ficou 130 milhões de euros mais rico ao aproveitar a subida das ações da dona do Pingo Doce para ficar com uma fortuna avaliada em 1,8 mil milhões de euros, mais 8% do que em 2014.
Belmiro de Azevedo, um dos antigos líderes da tabela feita pela revista Exame, consolidou a terceira posição, graças à subida de 12,8% na sua fortuna pessoal. O antigo chairman e CEO da Sonae ganhou 157 milhões de euros em um ano, beneficiando da valorização dos títulos da retalhista, na qual é o acionista maioritário através da holding pessoal Efanor.
A Guimarães de Mello mantém-se como a família mais rica de Portugal e repetiu a quarta posição ocupada em 2014. A dona do grupo José de Mello, ainda assim, ficou 2,9% mais pobre. Perda de 36 milhões de euros que ocorreu depois de os últimos 12 meses terem sido repletos de acontecimentos.
Deixou de ser acionista do grupo EDP, onde detinha uma posição de 4,5%, vendeu parte da participação na Efacec Power Solutions à empresária angolana Isabel dos Santos e viu ainda a Brisa alienar 30% da Concessão Rodoviária a um consórcio de quatro investidores luso-brasileiros.
António Silva Rodrigues é o primeiro empresário cuja riqueza não depende da bolsa. Surge em quinto lugar na tabela, um ganho de dois lugares em relação ao ano passado. A melhoria dos resultados da Simoldes, que faturou cerca de 600 milhões de euros em 2014, permitiram a Silva Rodrigues acumular uma fortuna de 967 milhões de euros, mais 26,9%.
Um dos dois lugares ganhos pelo presidente da empresa de plásticos foi à família Alves Ribeiro, que surge em sexto lugar. As perdas registadas com o Banco Invest levaram a uma perda superior a 400 milhões de euros nos últimos meses. A fortuna pessoal desta família cedeu 38,5% para 663 milhões de euros.
O presidente da Visabeira tem a maior subida do ano. Fernando Campos Nunes ocupa a sétima posição, com uma fortuna de 539,2 milhões de euros, mais 140 milhões do que em 2014. Saiu do final da tabela após ganhar três posições.
A maior novidade mora na oitava posição. O empresário madeirense Dionísio Pestana teve uma subida de 34,5% na sua fortuna, graças aos resultados do grupo de hotéis. A cadeia Pestana é uma das beneficiadas com o aumento das receitas turísticas nos últimos anos, que ultrapassaram os 10 mil milhões de euros só em 2014, segundo os número do Instituto Nacional de Estatística.
A lista dos 10 mais ricos fecha com dois dos primos de Alexandre Soares dos Santos. Maria Isabel dos Santos e Fernando Figueiredo dos Santos ganharam 4,4% para 448 milhões de euros.
Família Mota sai do top-10
A "exposição considerável" da Mota-Engil ao mercado africano foi um dos principais fatores que atiraram a empresa para quedas acentuadas nos últimos 12 meses. Esta região foi bastante afetada pela forte descida das cotações do petróleo, o que levou os títulos da construtora a perder cerca de 60% do valor em bolsa entre julho de 2014 e o mesmo mês deste ano. Este fator levou à saída de António Mota e das irmãs da lista dos 10 mais ricos de Portugal.
Esta família ocupou o sexto lugar no ranking na edição do ano passado. Detinha, na altura, uma fortuna pessoal de 808 milhões de euros, segundo os dados da publicação. Como ocupa agora a 17.ª posição, António Mota e as irmãs deverão ter perdido, pelo menos, perto de metade da sua riqueza. Esta previsão tem em conta que Fernando Figueiredo dos Santos, que é o décimo mais rico de Portugal, tem uma fortuna pessoal de 448 milhões de euros.
Esta é o segundo ano consecutivo em que uma família sai da lista dos mais ricos de Portugal. O ano passado passado ficou marcado pela saída da família Espírito Santo do top-25. Maria do Carmo Espírito Santo Silva, que era a segunda mulher mais rica do país, foi a principal personalidade a ser retirada da lista após o escândalo que culminou no fim do Banco Espírito Santo, há praticamente um ano.