O tráfego postal recuou 2,3% no primeiro trimestre de 2022, em comparação com igual período do ano anterior, revelou a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) esta quarta-feira. Numa análise aos primeiros três meses do ano, o regulador estima que "a pandemia tenha provocado uma diminuição de 10,8% no tráfego do primeiro trimestre".
Esta retração do tráfego postal teve correspondência nas receitas geradas pelas empresas do setor, entre janeiro e março, uma vez que os serviços postais totalizaram 175,8 milhões de euros, menos 2,2% em termos homólogos. "Esta diminuição deveu-se à evolução das receitas de encomendas, que diminuíram 8,4%, e em menor medida à diminuição das receitas da publicidade endereçada (-11,9%)", explica a Anacom.
Não obstante, a receita média por objeto subiu 0,1% em comparação com o primeiro trimestre de 2021. O aumento resultou, "entre outros fatores, do crescimento da receita unitária das correspondências, influenciado pelo aumento de preços promovido pelos CTT [maio empresa do setor] em 1 de abril de 2021", de acordo com o regulador.
As encomendas representaram 41,2% das receitas totais, do setor, enquanto os serviços postais no âmbito do serviço universal represenou 52,5% do volume de negócios do setor.
"Embora os efeitos da pandemia ainda se tenham feito sentir no primeiro trimestre de 2022, com a eliminação gradual das restrições à circulação ao longo de 2021, o tráfego postal parece ter iniciado um processo de recuperação do choque provocado pela pandemia", lê-se.
Por tipo de objeto, o tráfego das correspondências, do correio editorial e de encomendas caiu 1,2%, 2,4% e 10,6%, respetivamente, enquanto o tráfego de publicidade endereçada aumentou 0,5%. Já o tráfego internacional de entrada em Portugal, "que representava cerca de 5% do total de tráfego postal", diminuiu 27,9% em termos homólogos.
No final de março, as correspondências representavam 74,7% do tráfego postal, enquanto o correio editorial e a publicidade endereçada representaram 7,1% e 7,0% respetivamente. Já as encomendas representavam 11,2% do total do tráfego postal, menos um ponto percentual face a igual período de 2021.
Os serviços postais referentes ao serviço universal representavam 81,5% do tráfego total. O tráfego postal referente ao serviço universal decresceu 1%, "no entanto o seu peso no total do tráfego aumentou um ponto percentual. em comparação com o o primeiro trimestres de 2021"..
Entre janeiro e março, os CTT mantinham a maior quota no setor postal, com a empresa a representar 84,9% do tráfego postal do setor, menos 0,6 pontos percentuais em termos homólogos. "Relativamente ao tráfego abrangido pelos limites do serviço universal, o grupo CTT detinha uma quota de cerca de 90,8%. Por outro lado, a quota de encomendas do grupo CTT atingiu 47,2%", refere a Anacom.
O regulador nota, ainda, que o número de estações de correio dos CTT cresceu 1,4%, "mantendo-se a tendência de crescimento que se iniciou em 2019, enquanto a evolução negativa dos postos de correio se inverteu e o seu número aumentou 0,2%". Os pontos de acesso cresceram 2,8%, mas os centros de distribuição caíram 3,6% e os veículos de distribuição diminuíram 5,5%, em termos homólogos.
No final de março, trabalhavam no setor cerca de 14,8 mil trabalhadores afetos à exploração dos serviços postais, dos quais 71,3% estavam vinculados aos CTT. O número total de trabalhadores cresceu 0,2%, face a igual período do ano anterior, devido "principalmente pela atividade dos prestadores alternativos".