Andrew Charlton: "Governo devia vender empresa de controladores aéreos"

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Além de concessionar a gestão dos aeroportos e vender a TAP, o

governo devia entregar a NAV, empresa pública que gere os

controladores aéreos, a privados. A ideia é de Andrew Charlton,

fundador e CEO da Aviation Advocacy, que garante, em declarações ao Dinheiro Vivo, que, "apesar de

nunca ter sido falada e de ser capaz de fazer explodir os

controladores, a possibilidade de privatizar, mesmo que parcialmente,

a NAV devia ser considerada".

"Não há razão para o Estado gerir os controladores nem faz

sentido cada país ter a sua empresa. A NAV é um ativo excelente e

podia render muito - os alemães que andam a rondar a britânica NATS

estariam provavelmente interessados no negócio", diz o

analista. Com 5 mil funcionários, a empresa de controladores aéreos

britânica é exemplo de como "as empresas privadas nesta área

funcionam bem". Partilhada entre governo (54%), Airline Group

(42%) e Heathrow Airport Holdings (4%) desde 2001, a NATS é

"excelentemente gerida - e não tem greves", realça

Charlton, que aponta ainda o caso da NAV Canada (4800 empregados),

detida por um consórcio de empresas desde 1996, quando foi comprada

ao Estado por 1,5 mil milhões de dólares.

De resto, consolidação é palavra de ordem para o sector da

aviação, garante o especialista ao Dinheiro Vivo. Casos como a KLM+Air France,

Iberia+British ou da fusão entre as duas gigantes americanas, United

Airlines e American Airways, anunciada esta semana, vão [têm de]

tornar-se mais comuns. "Cada país tem a sua linha, é

histórico, mas a economia da aviação exige consolidação. Com

este movimento, os preços vão aumentar, mas isso não é mau",

garante Andrew Charlton, que acredita que o consumidor prefere pagar

o preço justo (mesmo mais alto) e ter uma companhia que voa em

segurança a vê-la fechar por falta de condições. "Os preços

têm de subir para parâmetros razoáveis - isso é algo em que os

reguladores deviam pensar."

E quais seriam os melhores candidatos a juntar a TAP aos seus

ativos? "A Etihad é interessantíssima. Nos últimos meses, a

companhia dos Emirados Árabes tem revelado interesse na airberlin,

Aer Lingus, Jet of India e Virgin Australia. Seria fácil ver a TAP

pelo que pode acrescentar à operação que está a construir e pelos

passageiros que pode trazer-lhe - e não tem problemas de dinheiro.

Por outro lado, a Air France/KLM não é forte na América Latina e

teria aqui a oportunidade ideal para entrar nesse mercado."

A companhia portuguesa reduziu os prejuízos 24%, em 2012, mas

ainda teve resultados negativos de 9,6 milhões, apesar dos recordes

no verão (ver infografia). Ainda assim, tem potencial. "Diminuir

perdas é bom, abre caminho ao lucro. E o valor não vem dos

resultados, é parte de algo maior, com ênfase na operação na

América Latina e Brasil - que a torna especialmente atrativa para

europeus como Air France/KLM, IAG ou Lufthansa." E haverá

vantagem em partir os ativos antes de vender? "É uma forma de

maximizar o valor de cada parte, vendendo a compradores

exclusivamente interessados em cada ramo da operação", admite.

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