Chegou à TAP há um mês e ainda está a conhecer os cantos à casa. Ainda assim, Antonolado Neves já identificou as principais falhas que a companhia aérea tem para resolver. Numa visita ao stand da TAP na BTL, o sucessor de Fernando Pinto admitiu que os atrasos são a prioridade número um.
"Os atrasos são uma prioridade para a toda a TAP, que tem muito que fazer em relação a isso. Temos um desafio enorme de infraestrutura aeroportuária, de navegação, mas acho que trabalhando em equipa vamos conseguir melhorar a pontualidade. A meta de pontualidade para este ano é maior que a do ano passado. Tivemos um bom mês de janeiro mas um fevereiro mau. Temos de aprender a recuperar rapidamente dos atrasos, isolar o problema que temos", reconheceu Antonoaldo Neves em declarações aos jornalistas.
Para o presidente da companhia, "quem sofre primeiro com a falta de pontualidade são os nossos trabalhadores, que chegam mais tarde a casa e têm uma vida mais difícil. Em segundo lugar são os nossos clientes".
Insistindo na ideia de que a "a existência da TAP depende da pontualidade", Antonoaldo Neves explicou que 50% dos passageiros da companhia apanham os seus voos de ligação em Lisboa. Logo, "se perdem a conexão, vão voltar por outro país".
A falta de espaço no aeroporto de Lisboa é outra das dores de cabeça do presidente da TAP. Antonoaldo Neves garante que tem "o maior interesse no aumento da capacidade do aeroporto" Humberto Delgado.
"Dedico quase seis horas por semana a discutir a capacidade do aeroporto de Lisboa e como aumentá-la. A minha experiência passada é toda dedicada a aumentar a capacidade de aeroportos. A minha vontade é que a capacidade do aeroporto de Lisboa aumente e muito. A minha frustração é não podermos aumentá-la. Estamos limitados a 40 movimentos por hora. Adorava que fossem 46. Um aeroporto com uma pista em qualquer lugar do mundo pode chegar a 42 a 46 movimentos por hora. Amanhã tenho uma reunião com a ANA para discutir esse assunto. A TAP sem capacidade não vai conseguir ser pontual nem vai conseguir entregar o plano estratégico que foi definido", destacou.
Ainda sem data definida para a apresentação das contas de 2017, Antonoaldo Neves antecipou que a companhia vai ter mais capacidade já este verão e que deverá crescer 7% em 2018. A chegada de novos aviões vai dar um empurrão à descolagem dos números.
"Os novos aviões chegam a partir de abril. Vamos ter um ou dois no verão. O objetivo é ter a voar entre um a três Neos no verão. Depois do verão vão chegar num volume muito grande. Em termos de longo curso, a nossa previsão é que entre setembro e novembro comecem a chegar os A330 Neos de longo curso".
Rejeitando que a companhia esteja pressionada pelo crescimento das low cost, Antonoaldo Neves sublinhou que a TAP está mais focada em melhorar o serviço de longo curso.
"Quem me tira o sono não é a Ryanair, são as grandes companhias de longo curso. Temos de estar muito mais atentos à nossa concorrência na América do Norte e do Sul. O médio curso é simplesmente um complemento".
O presidente da TAP revelou ainda que a ponte aérea entre Lisboa e Porto já é a maior rota da TAP, tendo transportado mais de 700 mil clientes no ano passado.
Sobre as notícias que dão conta das dificuldades financeiras do acionista chinês da companhia, Antonolado Neves afirmou apenas que a TAP "admira muito o que o grupo chinês" HNA tem feito, destacando que "a parceria é fundamental para a TAP e para a Ásia" e que "qualquer grupo do mundo passa por momentos mais difíceis. Temos de dar todo o apoio necessário. Até ao momento não nos afetou em nada", garantiu.