O presidente da Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN) entende que o facto de o canal que ficar na RTP ter publicidade, informação avançada segunda-feira pelo presidente da RTP, "não é uma má notícia" para o mercado.
"Já viemos de um tempo em que ambos os canais, RTP1 e RTP2, tinham nove minutos [de publicidade] por hora [cada um]. Houve uma redução (...) houve restrições aos espaços de publicidade. Por isso, não vejo que sejam más notícias. Acho que a publicidade de televisão é incontornável", justificou o presidente da APAN, sublinhando que, nos orçamentos de media das empresas, a televisão continua a arrecadar perto de 50% do investimento em publicidade.
O presidente da RTP, Guilherme Costa, disse na segunda-feira, na apresentação do plano de sustentabilidade económica e financeira da estação, que o canal de televisão que se mantiver na estação pública vai continuar a ter publicidade, à semelhança da RTP1.
Guilherme Costa adiantou que o canal generalista que não for alienado beneficiará de "receitas comerciais num montante inferior ao que beneficia agora", o que se deve - explicou - ao aumento da concorrência, na sequência da entrada de um novo concorrente no mercado com alienação de um dos canais da RTP.
Eduardo Branco reconhece que "terá de haver um ajustamento dos preços" da publicidade, mas entende que isso é uma "consequência" expectável da crise: "Numa economia em crise, dificilmente os preços da publicidade não contraem porque, se as receitas das empresas que anunciam contraem, como é que as empresas de meios também não contraem?", interroga.
Para o presidente da APAN, "a crise económica não tem como consequência menores necessidades de publicidade, porventura até ao contrário", uma vez que "as marcas têm de se promover mais junto dos seus clientes para estimular o consumo".