Na aviação ligeira a segurança é maior e as quedas são menos frequentes. A afirmação é de Carlos Costa, Presidente da Associação portuguesa de aviação ultra-leve (APAU), que explica que infelizmente os números adiantados para o sector só vêm a público quando há acidentes mortais.
"Os aviões comerciais sofrem entre 20 a 30 acidentes por dia, em Portugal, porque tudo pode ser dado como acidente já que é obrigatório efectuar um reporte. O avião ultra-leve não tem reporte, quando há um problema o proprietário efetua a reparação, mas houve um acidente, que não será contabilizado".
O mesmo é dizer que os aviões comerciais acabam por ter uma percentagem de acidentes mortais muito inferiores, porque todas as falhas são detetadas, contrariamente à aviação ultra-leve que acaba por só ver contabilizados os acidentes mortais. "Os números estão enviesados", denuncia o presidente da APAU.
Ainda ontem um avião ligeiro caiu num quintal em S. Domingos de Rana, concelho de Cascais, provocando dois mortos, ocupantes da aeronave: "Uma tremenda falta de sorte, denuncia o presidente da Associação de aviação ultra-leve, que diz porém que o equipamento era um avião ligeiro e não uma aeronave.
Há duas grandes diferenças que separam os ultra-leves dos aviões ligeiros: "são mais leves, como o nome indica, e por isso conseguem viajar a velocidades mínimas em comparação com os outros aviões."
"Com uma falha de motor, uma aeronave ultra-leve consegue planar até terra a 65kms, os aviões comerciais [de grande porte] descem a 400"; "a probabilidade de sobrevivência é muito mais elevada em aviões pequenos", revela.
As falhas estão estudadas, explica Carlos Costa, "mas infelizmente o nosso parque aeronáutico português é muito pequeno e os números saem desvirtuados". As causas estão identificadas em vários sectores, e como refere, "há muita falha humana, há problemas de origem meteorológica "porque o espaço é tridimensional" e, "em menor percentagem" existem falhas mecânicas.
A APAU tem tentado promover a formação entre pilotos de forma a minimizar os efeitos de possíveis falhas. "Queremos ajudar as pessoas a prepararem-se melhor, primeiro a evitar problemas e depois a tentar resolvê-los" da melhor forma. Anualmente a Associação desenvolve fóruns de segurança, porque na aviação desportiva ultra-leve é tão necessária uma formação contínua como na aviação profissional.