Apesar do verão fulgurante, taxa de desemprego subiu para 5,8% no terceiro trimestre

Tirando o ano da pandemia (2020) e os dois primeiros anos do programa de austeridade da troika e do governo PSD-CDS (2011 e 2012), é a primeira vez que a taxa de desemprego aumenta nos meses de verão.
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A taxa de desemprego nacional subiu para 5,8% da população ativa no terceiro trimestre deste ano, apesar do verão fulgurante em muitas atividades, sobretudo no turismo.

Segundo o novo inquérito trimestral ao emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgado esta quarta-feira, no terceiro trimestre, "a taxa de desemprego foi estimada em 5,8%, valor superior em 0,1 pontos percentuais (p.p.) ao do segundo trimestre de 2022", mas em todo o caso inferior em 0,3 p.p. face ao terceiro trimestre do ano passado.

Tirando o ano da pandemia (2020) e os dois primeiros anos do programa de austeridade da troika e do governo PSD-CDS (2011 e 2012), é a primeira vez que a taxa de desemprego aumenta nos meses de verão em Portugal, mostram as séries do INE.

Portugal tem assim 305,8 mil pessoas no desemprego, valor que representa um agravamento de 2,3% (mais 7 mil desempregados) em relação ao trimestre anterior, mas menos 4,1% (12,9 mil) relativamente ao homólogo, diz o mesmo instituto.

Desemprego piora por causa da Grande Lisboa e do Norte

Os dados do INE mostram que o agravamento do desemprego durante o verão (face ao segundo trimestre) aconteceu sobretudo na área da Grande Lisboa e na região Norte, uma vez que as restantes até conseguiram reduzir o peso do número de desempregados na respetiva população ativa.

Em termos homólogos, a Grande Lisboa foi a única região onde o desemprego piorou.

"No 3.º trimestre de 2022, a taxa de desemprego foi superior à média nacional em três regiões NUTS II do país (Área Metropolitana de Lisboa: 7,6%; Região Autónoma da Madeira: 6,2%; Região Autónoma dos Açores: 6,0%), igual na região Norte (5,8%) e inferior nas restantes três regiões (Algarve: 4,4%; Centro: 4,3%; Alentejo: 4,3%)", observa o INE.

"Em relação ao trimestre anterior, a taxa de desemprego aumentou em três regiões, com destaque para a Área Metropolitana de Lisboa (0,8 p.p.), e foram observados decréscimos nas restantes quatro regiões, o maior dos quais na Região Autónoma da Madeira (1,1 p.p.)."

Já na comparação homóloga "realça-se a diminuição da taxa de desemprego no Alentejo (1,5 p.p.), que superou as variações negativas observadas nas restantes as regiões, exceto na Área Metropolitana de Lisboa, onde se verificou uma variação positiva de 0,9 p.p.".

Desemprego jovem dispara no verão

E uma vez mais, se não contarmos com o ano atípico da pandemia e os dois primeiros anos da troika, este terceiro trimestre volta a ser marcado por uma subida muito pronunciada da incidência do desemprego jovem (pessoas com menos de 25 anos).

Segundo o INE, a taxa de desemprego entre os mais jovens sofreu uma subida "mais acentuada" do que a taxa nacional no período de julho a setembro (face aos três meses anteriores), tendo aumentado de 16,7% para 18,8% da população ativa com menos de 25 anos. ao todo, haverá agora perto de 66 mil jovens sem trabalho e que procuraram ativamente emprego e estavam disponíveis.

Este número representa um aumento de 24% face ao segundo trimestre, embora ainda esteja bastante abaixo (menos 14%) do verificado no verão de 2021, quando Portugal recuperava pela primeira vez da pandemia e também teve um verão explosivo no turismo.

(atualizado 12h00)

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