A Web Summit de 2022 chegou ao fim esta sexta-feira e o ecossistema de inovação e empreendedorismo brasileiro está otimista com os frutos a colher a partir de Portugal. Aliás, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no encerramento do evento, pediu aos participantes brasileiros que regressem em 2023 e que tragam "toda a Latina América" a Portugal.
O Brasil fez-se representar na sétima edição com um total de 280 empresas de Terras de Vera Cruz. A maior participação brasileira de sempre na Web Summit foi organizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) - uma espécie de IAPMEI - e pela agência de investimento Apex Brasil. Só a entidade homóloga da portuguesa AICEP trouxe 70 empresas, entre 53 startups e 17 empresas tecnológicas.
"Todas têm intenção de internacionalizar ou atrair investimento para crescer em Portugal e na Europa", afirma ao Dinheiro Vivo (DV) Clarissa Furtada, responsável pela área de competitividade da ApexBrasil. "Ainda é cedo para saber quais os resultados", refere a gestora, mas há "boas perspetivas". "Com certeza que vamos ter resultados positivos de negócios fechados em Portugal", realça convictamente.
Desde 2018 que a Apex vem organizando comitivas para impulsionar negócios brasileiros durante a Web Summit.
"Portugal é um mercado de interesse, há muita atratividade para [as empresas brasileiras] virem para cá", diz, referindo que o papel do organismo é, essencialmente, "facilitar os negócios entre empresas".
Habitualmente só com a Apex vinham entre 15 a 20 startups, mas com a primeira Web Summit do Rio de Janeiro marcada para maio de 2023 este foi o momento de expandir horizontes. A agência de investimento brasileira recebeu 150 candidaturas, mas só trouxe 70. A maturidade do negócio, o desejo de se internacionalizar e a pertinência da área de atividade para o mercado português foram os critérios de seleção.
"Portugal é uma porta de entrada para a Europa, a questão da língua facilita muito e a cultura é próxima". São estes os motivos para Clarissa Furtado que justificam a forte procura de startups e empresas brasileiras pela Web Summit.
Além disso, o tecido empresarial brasileiro entende ser este um momento decisivo para o ecossistema brasileiro de inovação e de empreendedorismo. "O mundo está cada vez mais conectado, global, não dá para ficar isolado e há procura [por empresas brasileiras e de empresas brasileiras por outros mercados]", prossegue Furtado, garantindo ainda que a questão política não é um entrave.
"O mundo empresarial está um pouco separado da questão política. As empresas querem fazer negócios, independentemente do governo. E houve um amadurecimento do ecossistema de inovação e de empreendedorismo brasileiro, que cada vez mais quer internacionalizar", conclui.
Lívia Carbonell, coordenadora de investimentos da ApexBrasil, adianta ao DV que a evolução é "significativa" no Brasil. "Em 2010, tínhamos cinco fundos estrangeiros interessados em investir, agora já temos mais de 200 identificados", diz. Adianta também que quando, nesse ano, "não havia nenhuma" startup com estatuto unicórnio, hoje há 30 unicórnios instalados naquele país (17 com ADN brasileiro).