A Associação Business Roundtable Portugal (Associação BRP), composta por 42 líderes de empresas e grupos empresariais, considera que as medidas do governo de apoio às empresas para enfrentar o cenário de inflação "visam apenas o curto prazo, não resolvem o problema e continuam a discriminar as grandes empresas", anuncia esta sexta-feira em comunicado.
A BRP concorda com o governo que é "fundamental manter os esforços em sede de consolidação e da sustentabilidade das contas públicas". Neste sentido, apoia as medidas que se dirigem à "aposta na (re)qualificação de ativos e desempregados em áreas e competências verdes. É um reconhecimento do PRO_MOV, uma iniciativa conjunta com o IEFP e que conta já com 41 empresas e que visa a qualificação nesta área, mas também nas áreas do digital, saúde, logística e indústria, agricultura, com o objetivo de requalificar 20 mil portugueses até 2025".
Por outro lado, a associação presidida por Vasco de Mello condena o governo alegando que "as medidas visam apenas o curto prazo, não resolvem o problema das empresas", sendo que "contemplam o gás para a indústria e sobretudo a mais intensiva e que não tem alternativa energética a curto prazo. São tão pequenas [estas medidas] que não têm impacto".
As "medidas continuam a discriminar as grandes empresas e assim a desencorajar e penalizar o crescimento e o sucesso das pequenas e médias empresas" apontado o dedo ao "Banco do Fomento para apoiar a Tesouraria com empréstimos quando devia era apoiar a aceleração da transição energética", segundo a mesma nota.
O que está em falta? De acordo com a BRP, "faltam medidas que resolvam os estrangulamentos do licenciamento e autorizem as redes energéticas a fazer os investimentos necessários para acelerar fortemente o aumento do autoconsumo e das renováveis". Mas há mais para a associação, que considera que os "apoios devem ser apenas disponibilizados a empresas que sejam viáveis, evitando o desperdício de recursos com empresas inviáveis que prendem cerca de 20% dos recursos humanos e de capital do país".
No comunicado, a BRP pede ao governo "transparência na comunicação à sociedade da forma como são utilizados os apoios extraordinários que estão a ser anunciados".