Argentina: o dólar sobe a pique

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O governo argentino não consegue saciar a sua sede

de dólares e esta semana deu mostras claras de que isto é verdade.

Novos obstáculos fazem com que hoje praticamente

ninguém consiga comprar dólares ao preço oficial, mesmo tendo

carta branca para tal.

Às já conhecidas restrições às importações, junta-se agora mais uma exigência: o governo pôs uma data limite de

15 dias a várias empresas mineiras, a partir de quando deixam de

poder importar mais maquinaria e materiais. A partir

dessa data, portanto, essas empresas só poderão produzir utilizando

produtos argentinos. Esta medida afeta a Barrick Gold, a Vale e a

Xtrata.

No meio de tudo isto, o que aconteceu ao dólar? O

gráfico que aqui deixo ilustra a relação dólar-peso argentino, expressa como a taxa de câmbio implícita entre o mesmo ativo na

Argentina e nos EUA. Por exemplo: se uma ação da Tenaris vale 17,6

dólares em Nova Iorque e 100,5 dólares em Buenos Aires, a taxa de

câmbio implícita é de 5,71 pesos por cada dólar (a esta taxa de

câmbio chamamos dinheiro com liquidação).

Na sexta-feira, quando foram impostas ainda

diferentes medidas de controlo no mercado paralelo, a taxa de câmbio

implícita marcou novos máximos. E se tomarmos a taxa a longo prazo,

a tendência de subida é bem clara (veja aqui).

É impossível contrariar uma tendência tão

altista. Mais do que qualquer bandeira política ou visão, há que

comprar aquilo que sobe. E neste caso exige-se, obviamente, comprar

dólares. Como diz a canção dos anos 80, "The only way is up!"

Gestor de ativos

Escreve à segunda-feira

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