Argentina. Troca de bens em grupos de Facebook dispara com a crise

A hiperinflação e o desemprego estão a levar os argentinos a procurar alternativas.
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Perante o cenário de crise económica instalado no país, os argentinos estão a recorrer à rede social Facebook para combinar pontos de encontro para trocar bens, noticia a Reuters.

O fenómeno não é totalmente novo. O mesmo aconteceu nas crises recentes dos anos 2001 e 2002 e na recessão de 2009, mas agora está a atrair centenas de pessoas diariamente a juntarem-se a grupos e fóruns próprios para estes encontros.

Desde roupa a alimentos, como leite e bolos caseiros, a variedade de bens encontrados nestes mercados improvisados é grande. De modo a garantir a transparência e dar segurança aos seus utilizadores, os grupos têm um sistema de pontos para classificar os bens e facilitar as trocas. Um bolo pode ter um preço sugerido de quatro pacotes de farinha, que por sua vez podem equivaler a alguns pontos na tabela.

O clima de crise vivido na segunda maior economia sul-americana está a levar os argentinos a preferirem trocar em vez de comprar bens. Os baixos salários são insuficientes para acompanhar o ritmo da evolução dos preços, numa economia em que 20% da população empregada trabalha irregularmente, sem acesso aos aumentos de salários negociados pelos sindicatos.

O desemprego está nos 9,1%, a inflação acima dos 25% e a moeda já desvalorizou 30% apenas este ano, o que dificulta o pagamento da dívida ao estrangeiro.

Cecilia Gomez, utilizadora de um dos grupos, que são predominantemente frequentados por mulheres, afirma à Reuters: “Isto ajuda a levar aos meus filhos leite, açúcar e as coisas que são mais precisas.”

A situação económica da Argentina já levou o país a necessitar de ajuda financeira do FMI.

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