Dado que o Caixabank não conseguiu reunir todas as autorizações necessárias para a aquisição do BPI até à data da assembleia de hoje, por si mesma um adiamento da sessão de 29 de abril, adiada para que as referidas autorizações fossem conseguidas, os acionistas "optaram por não adiar novamente, visto que de certa forma tinha havido um compromisso de ter as autorizações reunidas até hoje, o que não aconteceu". E, "como o Caixabank não controla o tempo que demorará a ter a autorização que falta, também não faria sentido um novo adiamento".
Assim, apesar de a maioria dos acionistas (52,45%) ter votado a favor, não foram atingidos os 75% que seriam necessários para a desblindagem dos estatutos do banco.
"A OPA pode ser alterada. Apenas nos foi dada informação, por parte do representante do Caixabank, que o mais depressa possível iria comunicar a sua posição se não fosse atingida a votação necessária. A convicção dos responsáveis do Caixabank é que não era este o momento para se fazer a votação", adiantou Santos Silva aos jornalistas.
"Neste momento, uma das condições que o Caixabank tinha posto não está definida, cabe-lhe a ele definir o que fazer agora", rematou Santos Silva.
Os acionistas do BPI chumbaram a desblindagem de estatutos do banco, uma das condições necessárias para o sucesso da OPA lançada pelo CaixaBank a 17 de fevereiro. A proposta reuniu apenas 52,45% dos votos a favor quando eram necessários, no mínimo, 75% para que fossem alterados os estatutos do banco.
A reunião de hoje tinha como ponto único a aprovação da desblindagem de estatutos e foi proposta pela Santoro, a holding de Isabel dos Santos, como forma de acelerar o desfecho da operação e avançar para outra: a fusão com o BCP.
O grupo catalão estabeleceu como uma das condições de eficácia da OPA o fim da limitação dos direitos de voto. Apesar de o CaixaBank ser o maior acionista do BPI, com 44,9% do capital, está limitado a votar com apenas 20%. Ou seja, acaba por ter o mesmo poder que Isabel dos Santos (que detém 18,6%). A intenção do CaixaBank era de acabar com este limite e assumir o controlo, com mais de 50%, o que não aconteceu.