Uma das questões que sempre retém a minha atenção quando surge na espuma mediática diária é a discussão à volta da tecnologia enquanto fustigadora de emprego. Sendo que dificilmente escondo a satisfação quando vejo reproduzidos factos contrários a essa versão fatalista. Pois defendo que o advento destas novas ferramentas da ciência, da técnica, da inovação, da engenharia, da inteligência e do conhecimento são somente facilitadores da atividade humana.
Nesse pressuposto, e no âmbito dos 40 anos do INESC (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores) celebrados neste ano de 2020, deparei-me com o Scalable 4.0, um projeto que procura adequar a automação das empresas em função do ciclo de vida dos seus produtos. Isto através da utilização de robótica colaborativa integrada com sistemas de gestão de produção de alto nível. Evitando, deste modo, quer a subautomação, quer a sobreautomação.
Sim, também temos exemplos de robotização em excesso. Quantas vezes o investimento em equipamentos de ponta é injustificado perante o retorno efetivo do produto? Linhas de montagem que laboram num ritmo regular em tantas situações desadequado à procura dos mercados. Pois é igualmente esse problema que o Scalable 4.0 tende a mitigar. Recorrendo, neste caso, à denominada robótica flexível: máquinas capazes de movimentarem-se na sala de fabrico ou descomplicadamente reconfiguradas para renovada função.
Dinamizado, então, pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, em parceria com as empresas Simoldes Plásticos, Critical Manufacturing e Sarkkis Robotics, o grupo francês PSA (Peugeot Citroen), o Fraunhofer IPA e a Universidade de Aalborg, na Dinamarca, o Scalable 4.0 pretende tal-qualmente criar ferramentas de simulação.
Utensílios, esses, que habilitarão os gestores de uma linha de produção a identificar a necessidade de um recurso num determinado ponto, mudando-o ou simulando a sua mudança, de forma verificar o impacto real. Validando in loco a incontornável complementaridade homem-máquina. Bem-vindos As Fábricas do Futuro!
José Pedro Salas Pires, Presidente da ANETIE