Associação 351. "É preciso uma aldeia para uma startup dar certo"

Quatro anos após a abertura de portas e mais de 1300 membros depois, Comunidade Portuguesa de Startups já prepara o lançamento de uma nova iniciativa, o movimento "You"re not Alone".
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Desde 2019 a trabalhar para democratizar o ecossistema de empreendedorismo nacional, a Associação 351 - Comunidade Portuguesa de Startups, tem procurado apoiar os fundadores na criação dos seus negócios, abrindo-lhes portas ao contacto com investidores e promovendo iniciativas educativas, assumindo a missão de educar o setor.

A realidade é dura para aqueles que desejam empreender e as estatísticas dizem que 87% dos projetos falham, precisamente porque falta apoio específico às empresas em início de vida - "é preciso uma aldeia para uma startup dar certo".

A 351 é uma comunidade livre de concorrência, feita de fundadores para fundadores, onde impera a entreajuda e a mobilização de stakeholders em prol do bem-comum do ecossistema. "As pessoas ajudam absurdamente, dedicam muito do seu tempo livre a ajudar o próximo", explica Fernando Jardim, presidente do conselho de administração da Associação 351 - Comunidade Portuguesa de Startups.

É precisamente o espírito "mãos à obra" dos membros que ajuda cada vez mais projetos a levantar voo, designadamente através da mentoria oferecida por empreendedores mais experientes àqueles que ainda estão a começar o seu caminho. Juntando empreendedores, aceleradoras, incubadoras, investidores e até o governo, na Comunidade Portuguesa de Startups cozinhou-se "a estratégia ideal para profissionalizar o apoio prestado pela 351, apoiar o ecossistema e ajudar os fundadores a crescer".

Depois de quatro anos de atividade, a Associação 351 tornou-se a maior comunidade de startups do país, com mais de 1300 membros e mais de 70 voluntários que todos os dias contribuem para realizar iniciativas. Acontecimentos como o Startup Grind, que consiste em encontros educativos mensais destinados a promover a aprendizagem no setor, ou as Coworking Thursdays, que todas as quintas-feiras juntam os fundadores de startups para trabalharem em conjunto e partilharem experiências, são alguns dos exemplos.

Adicionalmente, entre 12 e 22 de novembro, acontecerá ainda a segunda edição da Portugal Tech Week, organizada pela comunidade, que este ano trará mais de 300 eventos para a conferência, sendo a grande maioria iniciativas gratuitas e descentralizadas. No âmbito das parcerias, a Associação 351 celebrou um acordo com a Techstars, uma das maiores aceleradoras do mundo, com o intuito de trazer para terras lusas os seus programas de desenvolvimento de ecossistemas de empreendedorismo.

Portugal pode ser um país pequeno, apenas com 10 milhões de habitantes, mas as suas aspirações empreendedoras são grandes. Apesar do ecossistema nacional ser relativamente recente, ainda longe da maturidade de Silicon Valley, nos Estados Unidos da América, os entraves à afirmação das startups nacionais não se prendem com a localização na cauda da Europa ou com a falta de vontade de empreender, mas antes com a necessidade de uma "estratégia clara de desenvolvimento do ecossistema que alinhe todos os stakeholders. Se assim for, ninguém segura Portugal", assegura Fernando Jardim.

Para o responsável da Associação 351, o fundamental neste momento é que os diversos players trabalhem em conjunto, no sentido de criar uma estratégia consistente de desenvolvimento e conduzir as startups em direção ao sucesso, articulando-as com os vários stakeholders.

É também nesse sentido que a comunidade vai lançar o movimento You"re not Alone, nome pensado para refletir aquela que é a principal missão da 351 junto dos empreendedores. "Empreender é muito difícil, em 100 fundadores, 87 vão falhar, mas a mensagem é You"re not Alone", explica o presidente do conselho de administração da comunidade.

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