Associação de restaurantes critica proibição: "vender bebidas não tem risco"

AHRESP lamenta mais uma medida restritiva que prejudica atividade dos restaurantes e cafés e que levanta muitas dúvidas.
Publicado a

É o consumo de bebidas - e os consequentes ajuntamentos à porta de estabelecimentos - que se quer impedir, e não a venda que traz risco. E por isso a nova medida do governo, que proíbe a venda de todas as bebidas em regime de takeaway é apenas lesiva da atividade de um setor já tão afetado pela crise da covid e respetivas medidas de contenção da doença.

Quem o diz é a Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, (AHRESP), que pede a governo que volte atrás numa regra que é ineficaz e traz apenas grande confusão aos estabelecimentos, que estão vedados a qualquer atividade exceto o takeaway.

"As últimas medidas restritivas impostas ao funcionamento da Restauração e Similares vieram determinar a proibição, no takeaway, da venda de qualquer tipo de bebidas. Ora, a venda de bebidas propriamente dita não representa qualquer risco acrescido", sublinha a AHRESP que defende a revogação imediata desta medida, uma vez que "o que se quer prevenir é o consumo de produtos à porta do estabelecimento ou nas suas imediações, e não a venda, que apenas vai prejudicar a já difícil situação dos estabelecimentos".

A associação liderada por Ana Jacinto sublinha que esta questão assume particular relevância nos estabelecimentos que funcionam com menus, com bebidas muitas vezes incluídas no preço. E questiona a tutela sobre esta e outras questões que estão a levantar "muitas dúvidas".

Recorde-se que, no âmbito do endurecer do novo estado de emergência e confinamento, o governo determinou o encerramento de todos os restaurantes, cafés e afins - que se mantêm apenas a funcionar para entregas -, tendo de seguida proibido toda a vendade bebidas ao postigo, "incluindo cafés".

"Cerca de 60% do setor da restauração e bebidas estava, em dezembro, com quebras superiores a 60%, metade do setor já estava a fazer despedimentos, quase 40% já nos dizia que não conseguia abrir portas e que ia iniciar processos de insolvência e falência", lembra Ana Jacinto. "Se olharmos para o alojamento turístico, os dados também não são nada animadores, porque cerca de 61% do alojamento turístico estava com quebras acima de 80%, sendo que muitas destas unidades até estão encerradas totalmente", referiu ainda em reação às novas medidas, pedindo por isso medidas muito mais rápidas e eficazes para o setor da restauração e bebidas, que verdadeiramente façam face a este novo confinamento, sob pena de o setor não sobreviver.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt