Atrever-me-ia a dizer que o Recrutamento não só é o maior desafio atual das empresas, mas será o maior desafio dos Recursos Humanos dos próximos anos. Ora, é isso mesmo que nos diz o estudo "Talent Shortage 2021", realizado pela ManpowerGroup junto a mais de 40 mil empregadores a nível global, dos quais mil em Portugal. Segundo este estudo, quase 70% dos empregadores em todo o mundo relatam dificuldades na contratação de novos colaboradores, o valor mais elevado desde 2006, o que deixa evidente os problemas de escassez de talento que o mercado de trabalho atravessa. Em Portugal, o valor alcança os 60%, três pontos percentuais acima do valor registado em 2019.
Perante este cenário, e numa conjuntura em que os talentos escasseiam e a competição entre as empresas pelos melhores é cada vez mais marcada, recorrer às estratégias normais e recorrentes de recrutamento tornou-se insuficiente. A ideia pré-concebida do "Post and Pray", acreditando que os candidatos aparecerão à custa de uma imagem criada no mercado está totalmente ultrapassada e exige medidas robustas e criativas por parte de quem lidera os RH de uma organização.
As empresas encontram-se numa "luta" pela atração e retenção de talentos, sabendo que a contratação de colaboradores excelentes é crucial para o sucesso do negócio e para a excelência da inovação. A questão que se impõe é: que estratégia usar para ganhar esta "guerra"? Acredito que o caminho deve ser feito pela edificação de uma estratégia assente na antecipação dos pedidos, de forma a sermos capazes de agir mais proativamente. Dentro desta estratégia cabe um conjunto de ferramentas que são fundamentais para trilhar esse caminho, das quais podemos enumerar, por exemplo: as atividades de active search a serem a cada vez mais intensificadas; a criação de comunidades para grupos estratégicos e a promoção da existência de relações entre eles, como forma de reduzir o time to hire para o mínimo, e que contribui consequentemente para a redução do custo deste processo, e claro, não podemos retirar desta equação a presença em eventos como as feiras de emprego ou as TeckTalks, extremamente relevantes na divulgação das vagas e captação de novos talentos.
No entanto, e apesar destas válidas e importantes ações, urge a necessidade de reinventar as formas de atração dos talentos criando ações mais cirúrgicas que permitam às empresas ser mais eficazes e eficientes. Para isso importa começar por desenvolver novas medidas, investindo em diferentes canais de comunicação que cheguem efetivamente ao público-alvo e que reforcem o posicionamento da empresa.
Atrair os candidatos certos e acima de tudo reter os melhores., sabendo que as características de um empregador atrativo também se têm vindo a alterar significativamente, e que por isso é importante fazer uma revisão daquilo que está definido como Employer Value Proposition (EVP), que deverá estar cada vez mais assente numa mensagem voltada para o futuro e para o comprometimento da empresa em construir vantagens competitivas sustentáveis e em marcar a diferença. Os benefícios, a formação, os momentos de networking e eventos globais de formação são outras das áreas onde é essencial apostar, no sentido de irem de dar resposta às necessidades dos colaboradores e principalmente do ambiente dinâmico em que vivemos. Paralelamente a isto, as empresas não podem descurar da importância do desenho de um ambiente assente na autonomia e na confiança, que vai permitir a cada colaborador explorar o melhor de si, tendo consciência que o seu sucesso beneficia diretamente a empresa da qual faz parte.
É neste contexto de uma acentuada competitividade no recrutamento, que que as empresas percebem a necessidade de promover iniciativas de desenvolvimento de talento que incitem uma experiência baseada na aprendizagem, exposição e visibilidade. Aliado a tudo isto, a criação de um ambiente que deverá ter como base princípios básicos de igualdade de oportunidades, desenvolvimento continuo, experiência internacional dentro da empresa e desenvolvimento e crescimento como uma responsabilidade do colaborador, são hoje essenciais como base que sustenta todas as outras iniciativas e estratégias.
Carla Gomes, Responsável de Recursos Humanos da Bosch Car Multimedia, Braga