Atraso no 5G pôs Portugal "na cauda da Europa"

Alexandre Fonseca, CEO da Altice, foi o keynote speaker da conferência "O Futuro é dos Fazedores", que assinalou o 10º aniversário do Dinheiro Vivo.
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Com a assertividade habitual, Alexandre Fonseca voltou a deixar críticas à gestão do leilão do espetro do 5G, que se prolongou por cerca de 11 meses até finalmente se ver em Portugal a luz da quinta geração móvel. O CEO da Altice, que participava na conferência "O Futuro é dos Fazedores", lamentou também que haja ainda frequências por atribuir. "[Este processo] deixou-nos, pela primeira vez na história das telecomunicações, na cauda da Europa", frisou o gestor, recordando a liderança nacional na implementação do 3G e 4G. Agora, defende, é necessário acelerar o passo e apostar na disponibilização generalizada da nova geração móvel, de forma a apoiar as empresas e a economia nacional no seu processo de digitalização e inovação.

Para o presidente da Altice Portugal, existem hoje três grandes desafios que é fundamental ultrapassar para que o potencial transformador das telecomunicações seja aproveitado em pleno: conectividade, universalidade no acesso e combate à infoexclusão. O objetivo principal deverá ser, por isso, "colocar Portugal a andar a uma só velocidade", garantindo cobertura e acesso à rede a todos os cidadãos em território nacional.

Mas se é verdade que o 5G significa mais velocidade de transmissão de dados para o consumidor comum, para as empresas a nova geração de telecomunicações poderá significar mais competitividade e maior capacidade de inovar, lembra o CEO.
A indústria, aponta, é um dos setores de atividade que maior benefício podem tirar da tecnologia, nomeadamente por via da automação e sensorização que alavancam soluções de IoT (Internet of Things) no chão de fábrica, melhorando os índices de produtividade e de eficiência. "As fábricas e os gestores portugueses estiveram [a trabalhar] um ano em desvantagem", critica Alexandre Fonseca, referindo-se à dianteira dos restantes Estados-membros na implementação da quinta rede móvel.

E porque os últimos dois anos têm evidenciado a importância da saúde, esta será igualmente uma das áreas que mais poderão desenvolver-se à boleia da nova geração móvel. "Outro setor onde provavelmente nos próximos meses e anos iremos continuar a sentir a importância do 5G é a área da saúde", frisa o CEO, dando como exemplos o aprofundamento da telemedicina e da monitorização remota de doentes.

"Olhando para o futuro, a educação é outra área-chave da aplicabilidade", observa o gestor, que defende a necessidade de apostar em métodos de ensino mais imersivos e interativos. "Não podemos esquecer que estes jovens serão os nossos gestores e empreendedores de amanhã", afirma Alexandre Fonseca, apelando a um maior investimento público e privado na investigação e no desenvolvimento de produtos e serviços.

Na apresentação que levou ao palco do Estúdio Time Out Mercado da Ribeira, enquanto keynote speaker na conferência do décimo aniversário do Dinheiro Vivo, Alexandre Fonseca desenhou um futuro que já pode passar pelo 6G. Para já, porém, o desafio é o passo anterior - e a logística é uma das áreas que mais benefícios dele poderão tirar, em particular durante a fase de retoma após as dificuldades impostas pela pandemia nas cadeias de abastecimento. Neste campo, a automação e a utilização crescente de sensores inteligentes e conectados permitirá tornar as operações mais eficientes, contribuindo para as metas nacionais de sustentabilidade. "Esta é uma das áreas mais responsáveis pela pegada ambiental e o 5G será decisivo para melhorar a sustentabilidade."

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