Atuar no presente para transformar o futuro

Energia, mobilidade e finanças. Galp, A-To-Be by Brisa e Millennium BCP. Três setores em profunda transformação, três empresas que contribuíram para mudar totalmente o perfil das suas áreas.
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Em 2012 os veículos elétricos eram ainda uma espécie de miragem e havia um fluxo constante de pessoas aos balcões dos bancos. A Galp era conhecida como uma petrolífera, mesmo que já fizesse investimentos consideráveis em renováveis, e a Via Verde era um identificador que facilitava a vida a quem não queria parar em portagens. Mas a última década foi de transformação profunda e as três administradoras de grandes empresas que vieram ao palco do Estúdio Time Out Mercado da Ribeira falar sobre os desafios da "Transformação para o futuro que já começou", desenharam o horizonte que nos espera.

"Enfrentamos o desafio de uma geração, que é a descarbonização da forma como vivemos, e isso implica descobrir 40% do que nos vai permitir descarbonizar", lembrou Teresa Abecasis, administradora da Galp, hoje apreendida - e bem - como uma empresa de energia, cada vez mais apostada em renováveis. Uma transformação que só foi possível recorrendo à inovação - fundamental para a empresa e ainda para os clientes.

Entre os vários projetos em mãos, a Galp está a reconverter a refinaria de Sines, tornando-a num hub de inovação capaz não só de se posicionar num ecossistema de inovação mundial como de ombrear na produção de energias renováveis, nomeadamente no solar, nos biocombustíveis e no hidrogénio verde. Fontes energéticas que, a par do papel do lítio no desenvolvimento de baterias, são ferramentas essenciais para a descarbonização da Europa, pilar chave da estratégia definida pela União Europeia.
Se a energética portuguesa está na linha da frente da inovação, não podia deixar passar a oportunidade do lítio. Teresa Abecasis revelou que a Galp conta ter um projeto em funcionamento em finais de 2025 (já a produzir), num total de 400 milhões de euros de investimento e que vai permitir criar 1500 postos de trabalho qualificado e especializado. E exportar com valor acrescentado.

A evolução que nos melhora a vida, mas do ponto de vista das nossas deslocações e de como nos movemos pela cidade foi central na contribuição de Marta Sousa Uva. A CEO da A-To-Be by Brisa, o braço tecnológico da empresa que há 30 anos trouxe ao mundo o identificador que conhecemos como Via Verde, trouxe ao debate o tema dos veículos autónomos, focando a importância que o 5G vai ter no seu desenvolvimento.
"Estamos a trabalhar em projetos-piloto onde testamos ferramentas para possibilitar que o veículo e a infraestrutura consigam comunicar entre si e enviar informação", soluções que vão permitir que os transportes evoluam para algo muito melhor, revelou.

Num mundo que se foi modificando sem darmos por isso, a banca também lida ainda com transformações brutais. O blockchain é um deles e, segundo Maria José Campos, administradora do BCP, a sua integração no sistema será, muito provavelmente, através de central bank digital currencies. Se, numa primeira fase, a digitalização da banca passou por proporcionar uma melhor experiência ao cliente, agora é altura de apostar mais na inovação de produtos e serviços. E sobre isso, a administradora do BCP é clara: "Vamos assistir a uma fase de convergência em que a banca tradicional vai incorporar muita dessa tecnologia."
Se cada uma das empresas envereda por um determinado caminho, há algo em que as três executivas concordam: Portugal e as nossas empresas têm de apostar em ecossistemas de inovação continuada (e partilhada). Não basta pegar num bom produto e exportá-lo. "Se não tivermos inovação contínua, este rapidamente se torna obsoleto." E Portugal tem a vantagem da dimensão e da personalidade e o perfil do consumidor que tornam este mercado ideal para suportar a inovação".

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