A taxa de natalidade em Portugal está em queda há vários anos - o que no médio prazo irá criar vários problemas de sustentabilidade -, mas não na companhia aérea portuguesa, onde este ano foi registado um aumento do número de filhos de colaboradores.
Desta forma, o nascimento de crianças foi uma das razões, entre várias, apontadas pelo presidente da TAP para a falta de serviço de bordo em vários voos ao longo dos últimos meses. "O índice de natalidade cresceu fortemente, o que não era previsível,
tivemos muitas grávidas durante este período", sublinhou Fernando Pinto durante um almoço do American Club of Lisbon, que decorreu esta sexta-feira em Lisboa.
Além do aumento da natalidade, a falta de pessoal deveu-se também a outras questões: como o aumento de faltas ao trabalho, o aumento de voos e uma interpretação na lei o que provocou uma divergência com os sindicatos. "Por um crescimento da empresa, por um aumento de faltas e até por
razões que se entende, como o nível de ausência por gravidez que
aumentou fortemente", disse posteriormente à saída do encontro.
"Por outras razões
também, houve um aumento da oferta de voos e, de certa forma, um aumento
também das ausências do pessoal de cabine", reforçou.
Devido a estas falhas no serviço, Fernando Pinto pediu desculpas em nome da TAP. "Quero pedir desculpa pela falta de serviço nos aviões", declarou.
Nos voos dentro da Europa, a falta de pessoal tem levado a que o serviço de refeição não seja servido devido às regras de segurança, que assim impõem esta regra, conforme alega o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).
A direção da TAP tem, no entanto, outro ponto de vista. "Foi um erro de interpretação, onde os sindicatos interpretam que com menos um a bordo não pode ser feito o serviço por razões de segurança", disse Fernando Pinto.
"Está havendo um erro de interpretação na decisão de fazer ou não um serviço de bordo. Nós estamos conversando [TAP e sindicatos], e mostrando que existem formas adequadas de isso ser feito", declarou o presidente da transportadora.
Recentemente, José Luís Arnaut, antigo ministro de Durão Barroso, queixou-se da falta de pessoal durante dois voos que efetou no início de setembro.
"Só porque não estão cinco pessoas, e estão quatro, não estão a colocar a segurança em causa. Foram a viagem toda a fazerem crochet, a falarem", disse o advogado na SIC Notícias.
As declarações de José Luís Arnaut originaram uma reação do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil que acusou o advogado de "grave ignorância e mal informada opinião" sobre esta questão.