Pode ser apenas o "ano zero" mas potencial não falta à Austrália para se tornar um dos novos destinos do ainda demasiado eurocêntrico futebol mundial.
O campeonato local, rebatizado A League Men, para ser equiparado ao A League Women, já um dos mais competitivos torneios do futebol feminino global, começou este mês sob um novo e lucrativo contrato televisivo válido para as cinco próximas temporadas com o canal Network Ten, do grupo ViacomCBS. E o gigante tecnológico Silver Lake vai investir, segundo o Sydney Morning Herald, cerca de 100 milhões de dólares americanos na liga. Tudo embrulhado numa ambiciosa campanha de marketing que faz com que a A League ande na boca de todos os australianos desde há meses, também a reboque do mundial feminino de daqui a dois anos no país.
Com essas apostas, a imprensa desportiva local acredita que, desta vez, o grande país da Oceânia terá argumentos para entrar, definitivamente, no mapa, como os EUA, o Médio Oriente, a China, o Japão, a América Latina e outros mercados alternativos à Europa.
Claro que há obstáculos a contornar: primeiro, a prioridade que a população local dá a dois primos do futebol, o futebol australiano e o râguebi, depois os "eurosnobs", como são chamados os australianos que só assistem Champions League, Premier League, La Liga, Bundesliga e outros torneios do Velho Continente, e, finalmente, a relutância de craques em viajar para os antípodas.
Sturridge, Rodwell, Keogh, Hooper, Bobô, Fornaroli, Dávila ou os portugueses Roderick e Nuno Reis são nomes conhecidos apenas dos muito familiarizados com o futebol. Falta um Beckham, como os EUA tiveram, um Xavi, como o Qatar, um Zico, como o Japão, um Raúl, como o México, para atrair ainda mais adeptos, mas é um começo.
Ao jeito americano, que incorpora clubes canadianos na sua MLS, a A League também tem um clube neo-zelandês, o Wellington Phoenix, entre os candidatos a roubar o título conquistado no ano passado pelo Melbourne City, um primo do Manchester City controlado pelos omnipresentes petrodólares de Abu Dhabi e símbolo da globalização futebolística.