Avaria ou ciberataque? Incidentes nas redes afetaram 6,4 milhões de pessoas em 2022

Operadores reportaram à Anacom um total de 37 incidentes de segurança no último ano. Ataque informático à rede da Vodafone Portugal foi aquele que teve maior impacto.
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Os incidentes de segurança nas redes e serviços das empresas de telecomunicações portuguesas, em 2022, afetaram 6,4 milhões de assinantes, revela a Autoridade Nacional de Comunicações esta quinta-feira.

Em comunicado, o regulador das comunicações realça que o impacto dos ataques notificados pelos operadores representa um "aumento muito expressivo em relação a 2021". No entanto, o número de incidentes diminuiu em termos homólogos, "mantendo-se a tendência de redução observada nos últimos seis anos".

Foram reportados à Anacom 37 incidentes de segurança em 2022 (menos um face a 2021). Um deles teve "um enorme impacto", nomeadamente, o ataque informático à rede core da Vodafone Portugal em fevereiro de 2022.

"Este incidente, ocorrido em fevereiro, de abrangência nacional e que mereceu uma ampla cobertura mediática, afetou os serviços de comunicações fixas e móveis. Considerando a probabilidade crescente de ocorrência de tentativas de ataque desta natureza a redes e serviços de comunicações, é da maior importância que as entidades continuem a trabalhar na adoção de medidas preventivas e de mitigação, de uma forma coordenada", realça o regulador liderado por João Cadete de Matos.

Além do caso da Vodafone, a Anacom indica que só foram prestadas informações públicas em mais outros sete casos.

Acresce que muitos dos incidentes acabaram por condicionar a realização de chamadas de emergência para o 112, bem como dificultaram o acesso a postos de atendimento de segurança pública.

A principal causa reportada à Anacom dos incidentes estava relacionada com "acidente ou fenómeno natural", seguindo as justificações por "manutenção ou falha de hardware ou de software" e "falha no fornecimento de bens ou serviços. por terceiro". Estes motivos "epresentam mais de metade do total dos incidentes de segurança notificados (56%)" e, segundo o regulador, estão associados a falhas de energia, cortes de cabos de fibra ótica, avarias de sistemas/equipamentos e cortes de serviço programados para trabalhos de conservação.

A localização dos incidentes de segurança foi "quase uniforme". A região do litoral Oeste de Portugal continental foi a que registou um maior número de incidentes nas redes e serviços de comunicações eletrónicas.

Contas feitas pelo regulador, "a duração média anual dos incidentes de segurança foi de 16 horas, sendo que "a maioria" dos problemas registados afetava entre dois a três serviços de telecomunicações ao mesmo tempo. O telfone fixo foi o serviço mais vezes afetado (43%), seguindo-se a internet fixa (38%) e os serviços de televisão paga (30%).

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