Já “efeméride” tem uma função quase oposta: palavra festeira, algo que traz-nos memórias do passado. Pode ser uma conquista, um campeonato, a inauguração de uma ponte, o adeus de alguém que amamos.
Aniversários são um tipo de efeméride. No latim, refere-se a algo que acontece anualmente (a palavra latina para celebrar os nascimentos é “natalis”).
A despeito do aniversário mais famoso do mundo ocidental (o tal que este ano iremos comemorar pela 2015ª vez), as tradições antigas judaicas e cristãs consideravam os aniversários celebrações pagãs. Lá no começo dos tempos, acreditava-se que a festa de aniversário era em honra ao Deus que assistia ao nascimento da pessoa. Logo, a coisa não era em nome do Deus único.
Mas essa má fama dos aniversários foi efémera. Hoje, podemos aproveitar os aniversários para beber em demasia, comer doces sem remorsos, abraçar e beijar sem pudor.
Com o tempo, aprendi a gostar de aniversários. Meus e dos outros. Acho que o Facebook colaborou para isto. Aquela função a lembrar-nos os aniversários, na sua simplicidade, ao permitir que possamos felicitar quem mal conhecemos ou quem não vemos há décadas trouxe os aniversários aos seus fundamentos. Basta escrever “parabéns” para sinalizar que aceitamos de bom grado que a outra parte esteja viva. E estar vivo, até prova em contrário, é a coisa mais importante.
https://www.youtube.com/watch?v=WbMTh4HxBqo
Esta semana, o Dinheiro Vivo está a completar o seu 4º aniversário. Por coincidência, eu estou a completar o meu 25º aniversário de Portugal. Os dois factos deixam-me feliz.
Feliz pelo facto de um projeto de comunicação português sobreviver e prosperar nos tempos que correm. Os jornais hoje contam as idades como algumas espécies. Um ano equivale a 10. Assim, em 2016, o Dinheiro Vivo chegará a meio século de vida. Bem haja.
Quanto ao meu 25º aniversário, ele representa o transpor formal de uma barreira: a partir de agora, já vivi mais tempo como português do que como brasileiro. Vou comemorar a data como se do meu aniversário natural se tratasse. Sinto-me um felizardo por poder dizer que nasci duas vezes.
https://www.youtube.com/watch?v=5kYa4ybMVFI
Aproveito para agradecer aos portugueses. A foto que ilustra este artigo foi a primeira que tiraram de mim neste vosso (meu) país. Sei que ele não é geograficamente grande, daí eu dar ainda mais valor pelo facto de encontrarem um lugarzinho para mim. Muito obrigado a todos e a cada um de vocês.
Ou como diria o meu Tio Olavo: “Aniversários fazem os homens parecerem vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons”.