A iniciativa arrancou há quatro anos, com o então designado Programa de Sustentabilidade do Azeite do Alentejo, numa parceria da OLIVUM com a Universidade de Évora, acabando por assumir uma abrangência nacional em 2024. “Somos um país pequeno e um setor que não tem assim tantas diferenças na sua produção, pelo que não fazia sentido manter este programa apenas no Alentejo”, justificou o gestor do PSA em declarações à agência Lusa. Gonçalo Moreira salientou que “há, de facto, mercados e consumidores que estão disponíveis para pagar mais por um produto que é produzido de uma forma sustentável e certificada e isso é, obviamente, aquilo que nós também pretendemos”. Isto porque o azeite tem potencial para ser um setor de elevado valor acrescentado em Portugal, mas precisa de alguma proteção por parte de iniciativas deste género para o conseguir posicionar num mercado altamente globalizado.Os dados mais recentes do INE revelam que o setor do azeite movimenta cerca de 860 milhões de euros em valor de produção agrícola, representando 8% da produção agrícola nacional.O azeite da Casa Relvas, escreve também esta manhã, 21 de janeiro, a agência Lusa, é o primeiro a garantir a atribuição deste selo, a comprovar um esforço que o produtor – conhecido particularmente pelo seu trabalho nos vinhos – tem feito para estabelecer-se no mercado como uma marca premium.“Para nós, a sustentabilidade é muito importante”, realçou à agência Lusa António Relvas, co-CEO da Casa Relvas, juntamente com o irmão, Alexandre Relvas.No vinho, lembrou, a Casa Relvas já foi “dos primeiros [produtores] certificados” pelo Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA), iniciativa inovadora no mundo promovida pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).E, agora, “no azeite fomos os primeiros” certificados no âmbito do PSA. De acordo com o gestor, para garantir a certificação PSA a empresa não teve “de mudar estruturalmente nada”, mas o processo acabou por criar “novos desafios de melhoria, tanto em métricas ambientais como em métricas de gestão”.A aposta na sustentabilidade levou a que, ao longo dos anos, a empresa tenha criado uma central de compostagem e utilize o caroço da azeitona como fonte de produção de energia para alimentar as caldeiras do seu lagar, situado no concelho de Vidigueira, distrito de Beja. .A par disso, explicou o gestor, a Casa Relvas avançou, em 2025, com um “levantamento de toda a biodiversidade da fauna e flora dos 2.500 hectares” de olival, vinha, amendoal e floresta que gere.Na opinião de António Relvas, a mais-valia da certificação PSA é a de comprovar “que a agricultura portuguesa é sustentável e do melhor que se faz no mundo”.A par disso, rematou, o programa permite “valorizar o azeite português” no mercado internacional, o que “é ótimo para Portugal e para as populações locais”.Recorde-se que a Casa Relvas já tinha também sido distinguida, no final do ano passado com o Prémio Agricultor do Ano, uma das duas categorias a concurso na terceira edição do Prémio Inovação Agricultura, promovida pela Timac Agro, em parceria com o jornal Expresso. Na época, António Relvas realçava que “é com enorme orgulho e sentido de responsabilidade que a Casa Relvas recebe o Prémio Agricultor do Ano, no âmbito dos Prémio Inovação Agricultura. Este prémio significa o reconhecimento do trabalho das 150 pessoas que todos os dias fazem da Casa Relvas uma empresa mais eficiente, sustentável e preparada para o futuro, e vem reforçar o nosso compromisso com uma agricultura responsável e um crescimento assente em rigor, conhecimento e inovação.”.