Abandonou a escola no final do 11.o ano e não sonhava fazer o que faz hoje porque, na altura, depois de estudar, trabalhou como pintor e pedreiro em obras na Madeira. Só que, com a crise, veio o desemprego: foi despedido da empresa do sector de construção civil onde trabalhava e ficou sem ocupação. Até ao dia em que o pai, antigo agricultor, desafiou João Pereira, 34 anos, a alugarem um terreno para poderem trabalhar juntos. E se?, pensou. E porque não?
O desafio do então jardineiro fez clique na cabeça de João. Pensou no assunto, falou a um amigo na possibilidade de poder tornar--se agricultor e este deu-lhe a conhecer as possibilidades de apoios, a nível europeu, que lhe permitiriam ter acesso a mais de metade do investimento necessário para arrancar com o projeto. Fez contas ao investimento em sementes, plantas e árvores. Procurou terrenos adequados para o efeito. Voltou a fazer contas. Escolhido o terreno, pediu orçamentos para o sistema de rega necessário e pôr-se a trabalhar.
Pouco mais de seis meses depois nascia a Bananihorta, um projeto de produção de bananeiras e produtos hortícolas cultivados em conjunto por pai e filho, os dois funcionários da empresa recém-nascida. Para isso, houve que investir e pedir ajuda: dos mais de 47 mil euros investidos, cerca de 30 mil serviram para comprar as estacas que suportam as bananeiras, que ocupam 5700 dos 9400 metros quadrados que mede o terreno alugado pela família durante os próximos oito anos. “Cada bananeira precisa de duas estacas para aguentar o peso das bananas”, conta João Pereira, que confessa já não conseguir imaginar-se a fazer outra coisa.
Para plantar o terreno, na parte sul da ilha da Madeira, João e o pai decidiram que, além das bananeiras queriam diversificar a produção e ter também outros produtos hortícolas como alface, milho, tomate inglês, beterraba, batata-doce e alho francês em produção. Foi essa decisão que lhes trouxe os maiores desafios enquanto gestores do negócio, sobretudo na hora de escoarem os produtos. “No caso das bananas, existe uma empresa do Estado que fica com toda a produção e vende-a, depois. No entanto, a venda de todos os outros produtos é assegurada por nós, no mercado abastecedor e em mercearias locais”, explica o agricultor madeirense. Talvez por isso, já no próximo ano, a dimensão da área plantada de bananeiras cresça mais 1000 metros quadrados e roube área às outras variedades, que passam a ocupar apenas 1700 metros quadrados do total do terreno. E João garante que não ficarão por aqui: pai e filho já sonham com o dia em que poderão alugar outro terreno e alargar a equipa.