Banca paga entre 19 e 120 mil euros

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O sector financeiro é o mais bem pago em Portugal . Quer nos quadros técnicos quer nas posições de topo, a banca oferece remunerações superiores à dos restantes sectores, com os salários a variarem entre 19 mil e mais de 120 mil euros anuais, conforme o cargo. A conclusão é do estudo da Grupo Michael Page Portugal, empresa especializada em recrutamento, referente às remunerações médias de 2011.

No segmento de quadros técnicos, o estudo mostra que, em média, um candidato com o perfil júnior pode ganhar anualmente cerca de 19 mil euros, contra os 13 mil euros, auferidos em média por um colaborador júnior que trabalhe em gestão de secretariado. "Paralelamente, um profissional de ambos os sectores que possua entre três a quatros anos de experiência em ambos os sectores recebe significativamente mais no sector da banca. Em média, um profissional da banca recebe cerca de 25 mil anuais, contra os 19 mil no sector de secretariado".

Também nos quadros de topo, o sector financeiro é uma das áreas em que a remuneração atinge, em média, valores mais elevados, em comparação com outras indústrias.

Entre as funções que melhor remuneram nesta área encontram-se os directores financeiros e também os responsáveis pela tesouraria. "Dependendo do volume de negócios da empresa e também dos anos de experiência do próprio profissional, o ordenado de um director financeiro pode ultrapassar os 110 mil euros anuais. Este é o ordenado médio de um director financeiro com mais de 10 anos de experiência e que trabalhe numa empresa cujo volume de negócios exceda os três mil milhões de euros", adianta o estudo do grupo Michael Page.

Já o vencimento de um responsável de tesouraria com uma experiência similar e que integre os quadros de uma empresa da mesma nomeada pode ultrapassar os 120 mil euros.

"O sector da banca sempre remunerou bem pela oportunidades de negócio que foi criando mas, muito pelo facto do sector financeiro estar a ser muito atingido pela crise, verifica-se um congelamento das remunerações", adiantou Lourenço Cumbre, responsável pela área de banca do grupo Michael Page.

Redução de custosMas se por um lado para quem está neste sector beneficia de remunerações mais atractivas, por outro a crise está a obrigar a novos reajustamentos, que passam pela redução de custos. Logo, despedimentos.

As contas do terceiro trimestre deste ano do sector financeiro mostram que, só os três maiores bancos privados portugueses - BES, BCP e BPI - num ano fecharam mais de 100 balcões, o que se traduziu no despedimento de centenas de pessoas.

A crise obrigou a banca a restruturar o seu negócio, o que passou também pela viragem das áreas que mais procura em termos de recrutamento. Actualmente, a recuperação de crédito, mercados emergentes, gestão de risco, auditoria e direcção financeira estão no topo de preferências da contratação da banca.

A aposta do sector financeiro nestas áreas "reflecte a preocupação de conseguir gerar uma maior optimização, controlo financeiro e também redução de custos", esclareceu Vasco Salgueiro, responsável pelo segmento de finanças do grupo Michael Page.

Com as perspectivas de mais redução de custos no sector financeiro, o que em termos de remunerações poderá significar um corte na remuneração variável dos colaboradores, a aposta vira-se agora para além fronteiras.

"O Brasil, Angola e também Inglaterra começam cada vez mais a ser claras apostas de muitos candidatos, além da própria banca estar a reforçar posições l"á fora, o que também acaba por criar oportunidades no mercado interno", concluiu o responsável da banca do grupo Michael Page.

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