Banco Best: "Aumento da poupança em tempos de crise tende a funcionar como entrave à recuperação"

Portugal tem um problema "crónico" de poupança. E apesar da taxa ter subido durante a pandemia, Eduardo Alves, da direção de investimentos do Banco Best, considera que em tempos de crise funciona quase sempre com um travão à recuperação económica.
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Os portugueses aumentaram a taxa de poupança desde o início da pandemia. Mas, historicamente, Portugal é um dos países onde menos se poupa. Para incentivar os hábitos de poupança, o Banco Best lançou uma nova ferramenta que ajuda a definir estratégias e objetivos.

Como explicou ao Dinheiro Vivo Eduardo Alves, da direção de investimentos do Banco Best, "Portugal apresenta, não só, um histórico de baixa taxa de poupança face aos seus congéneres europeus, mas também uma das mais elevadas cargas fiscais sobre o aforro. Assim, entre outras causas mais complexas e até estruturais, poderá distinguir-se o baixo rendimento dos portugueses, as taxas de juro próximas de zero, a falta de incentivos (nomeadamente de ordem fiscal) e a elevada iliteracia financeira".

Sobre o aumento das poupanças dos portugueses durante a pandemia, considera que "num país com um problema crónico de baixa taxa de poupança, que se verifica desde o início dos anos 2000, e elevado rácio de endividamento, qualquer aumento da poupança acaba por ser uma boa notícia para esta vulnerabilidade da nossa economia. O problema é que o aumento da poupança em tempos de crise funciona quase sempre, no curto prazo, como um entrave à recuperação económica", alertou. "Além de que na crise pandémica que vivemos há uma parcela dessa poupança que não é propriamente voluntária, mas que decorre das restrições impostas pelo confinamento que forçaram a um corte abrupto do consumo, o que se traduziu numa poupança forçada que poderá não corresponder a despesa extra nos próximos meses".

De acordo com o INE, a taxa de poupança dos portugueses fixou-se nos 12,8% em 2020, o que compara com os 7,1% registados antes da pandemia, em 2019. Uma tendência transversal. "De acordo com os últimos dados revelados pelo Eurostat, registou-se uma subida de 6,6 p.p. na taxa de poupança das famílias do bloco europeu, à exceção da Dinamarca, no último trimestre do ano passado, o que até acabou por superar o crescimento da taxa de poupança das famílias portuguesas que se fixou em 6 p.p.", relembrou Eduardo Alves.

Foi neste quadro que o Banco Best desenvolveu a aplicação Objetivos do Best, direcionada para clientes da instituição, principalmente os mais jovens, para o início da vida profissional. A solução propõe metas concretas como férias de sonho, carro novo, obras em casa, segunda habitação, entre outros. No que toca aos valores, "pode começar com zero euros e para objetivos de curto prazo com plano de 5 euros mensais", detalhou João Cabrita, da direção de Marketing da instituição financeira.

Segundo o mesmo responsável, o prazo mínimo para esta estratégia de poupança são quatro dias. Por isso, há "objetivos para o fim de semana, advogados a reservar valor para a CPAS (Caixa Previdência dos Advogados e Solicitadores), poupar para o próximo IMI, separar o dinheiro da renda de casa (e do negócio), Playstation 5, ir à Austrália. São centenas de objetivos pessoais", comentou.

Nos objetivos com prazos mais longos, de vários anos, como poupar para a faculdade, para comprar uma segunda casa, para ter um valor de reserva, o banco propõe "um investimento através de um produto que tem diferentes perfis de risco, geridos por profissionais, por isso ajusta-se automaticamente às subidas e descidas do mercado. Mas estamos sempre atentos à evolução dos mercados e, se for melhor mudar, avisamos o cliente, que pode aceitar ou não a nossa recomendação", assegurou.

Questionado sobre de que maneira esta ferramenta pode ajudar os consumidores a aumentar as poupanças em comparação às várias soluções já existentes no mercado, João Cabrita explicou que "uma das dificuldades que os portugueses sentem é a organização financeira - querem fazer mais com o salário e as poupanças. Um recente estudo divulgado pela CMVM mostrou isso mesmo, que Portugal é dos países europeus em que as pessoas têm maior dificuldade a entender os temas financeiros", apontou.

Além disso, "todos os bancos têm depósitos, poupanças, fundos e seguros. Tudo muito orientado para o produto e pouco orientado para as necessidades do cliente. Não se pergunta "o que quer fazer?". Nos objetivos estamos a fazer isso, diga o que quer fazer, em que data precisa do dinheiro e qual o montante. Daqui sugerimos um plano mensal de poupança, que pode ajustar. Depois, todos os meses é transferido o valor da conta para o objetivo". Para objetivos a longo prazo "sugerimos um investimento através de um produto de investimento com base num seguro, cujos investimentos são geridos automaticamente por uma equipa de especialistas". "Já temos clientes a definir objetivos de reforma que terminam em 2056, mas a maioria é para 2021 e 2022", revelou.

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