Banco BiG prevê manutenção da "inflação elevada" em 2022

A pressionar em alta a inflação estarão as "disrupções nas cadeias de fornecimento", o "desequilíbrio entre a oferta e procura de petróleo", o "elevado preço do gás natural na Europa" e "os aumentos salariais nos EUA", segundo o 'Outlook BiG: perspetivas para o ano de 2022.
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O banco BiG prevê que em 2022 a inflação "continuará elevada nas principais economias", as taxas de juro diretoras deverão manter-se e o mercado acionista beneficiará de crescimentos nos setores do turismo, financeiro, imobiliário, tecnológico e logístico.

Segundo o 'Outlook BiG: perspetivas para o ano de 2022 da equipa de 'research' do Banco de Investimento Global', divulgado esta sexta-feira, a pressionar em alta a inflação estarão as "disrupções nas cadeias de fornecimento", o "desequilíbrio entre a oferta e procura de petróleo", o "elevado preço do gás natural na Europa" e "os aumentos salariais nos EUA".

Relativamente às disrupções nas cadeias de fornecimento, resultantes da "forte procura e constrangimentos na oferta", o BiG refere que, "dadas as elevadas perspetivas de consumo, os CEO [presidentes executivos] das principais empresas de logística afirmam que a situação só irá normalizar em meados de 2022".

Também o atual "desequilíbrio entre a oferta e procura de petróleo deverá permanecer em 2022", já que "a OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] prevê que a procura aumente para 103 milhões de barris por dia, sendo, por isso, necessário que a oferta aumente em cinco milhões de barris por dia de modo a equilibrar a procura estimada".

Na base da inflação elevada a equipa de 'research' do banco diz estar também o "elevado preço do gás natural na Europa, devido a inventários mais baixos no início do ano, menor produção de fontes renováveis, maior procura por parte da China e menores exportações de gás da Rússia".

"Caso o inverno atual seja rigoroso, poderá despoletar crises de falta de gás na Europa e, consequentemente, aumento do preço da eletricidade", alerta.

Quanto aos aumentos salariais nos EUA, o BiG explica que são "motivados por uma escassez de trabalhadores, aliada a uma forte recuperação da procura e da atividade das empresas", e nota que, "neste momento, há 10,4 milhões de vagas de emprego para 7,4 milhões de desempregados".

Nas suas perspetivas para 2022, o banco aborda ainda a redução anunciada pela Reserva Federal norte-americana (Fed) no ritmo de compra de obrigações e a consequente antecipação pelo mercado de subidas na taxa de juro no próximo ano.

"O BCE [Banco Central Europeu] terá de ser mais cauteloso na retirada do estímulo monetário e, nesse sentido, podemos esperar, para 2022, uma redução na compra de obrigações, mas não uma subida nas taxas de juro diretoras", sustenta.

Para o próximo ano, e "excluindo o impacto da variante Ómicron", o BiG antecipa ainda que "o mercado acionista poderá beneficiar de crescimento nos setores de turismo e consumo discricionário, financeiro, imobiliário, tecnológico e de logística".

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