Banco de Inglaterra não foi informado de cortes fiscais 

Vice-governador do Banco de Inglaterra, Jon Cunliffe, disse: "se nos tivessem perguntado qual teria sido a reação do mercado, teríamos interagido com eles. Mas não é nossa responsabilidade dar conselhos ao governo em matéria de política fiscal, é o papel do Ministério das Finanças".
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O vice-governador do Banco de Inglaterra, Jon Cunliffe, revelou esta quarta-feira que o banco central não foi avisado antecipadamente dos cortes fiscais anunciados pelo governo que causaram turbulência nos mercados financeiros.

"Se nos tivessem perguntado qual teria sido a reação do mercado, teríamos interagido com eles. Mas não é nossa responsabilidade dar conselhos ao governo em matéria de política fiscal, é o papel do Ministério das Finanças", disse à comissão parlamentar de Finanças.

Cunliffe admitiu que "não se pode prever completamente qual será a reação dos mercados", embora tenha apontado para uma conjuntura de "aperto das condições financeiras a nível global e inflação muito alta".

"Se os mercados perderem a confiança na credibilidade fiscal, então vão aumentar o custo da dívida [pública]. E nós teríamos explicado essa questão", acrescentou.

Um pacote de cortes fiscais anunciado em 23 de setembro levantou dúvidas dos investidores porque não explicava como seria financiado, o que causou turbulência nos mercados financeiros, afundando o valor da libra e aumentando os juros das obrigações do Estado britânicas.

O Banco de Inglaterra foi forçado a intervir para evitar que a crise se propagasse à economia em geral e pusesse em risco fundos das pensões de reforma.

Sob intensa pressão política e económica, a primeira-ministra despediu na semana passada o aliado Kwasi Kwarteng como ministro das Finanças, substituindo-o por Jeremy Hunt, um crítico das políticas de Truss.

Na segunda-feira, após apenas três dias em funções, Hunt cancelou quase todos os cortes fiscais anunciados, alterou o pacote de garantia dos preços da energia e recuou na promessa de não haver cortes na despesa pública, o que acalmou os mercados.

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