O reforço dos capitais próprios dos bancos não deve prejudicar o fluxo de crédito à economia, considerou hoje o Banco de Portugal, lembrando que esta preocupação "está subjacente" ao programa de ajustamento económico acordado com a 'troika'. . Numa nota de esclarecimento enviada às redacções um dia depois de o Presidente da República ter pedido cuidado para que não ocorra uma 'desalavancagem' rápida do crédito que prejudique o financiamento da economia, o Banco de Portugal sublinha que o reforço dos capitais próprios dos bancos "não deve prejudicar o fluxo de crédito para a economia real" e lembra que esta "preocupação também está subjacente à implementação do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal". . Na sexta-feira, em Washington, Cavaco Silva afirmou que "os bancos centrais de cada um dos países devem ter cuidado para que não ocorra uma desalavancagem rápida do crédito que prejudique o financiamento da economia", sublinhando que "não se pode provocar um aperto brutal de um momento para o outro". . "O que recomendo é que seja aplicado aquilo que o Conselho Europeu em que participaram todos os chefes de Estado e de Governo recomenda, que a desalavancagem seja feita numa proporção adequada, que não ponha em causa o financiamento da economia", acrescentou o chefe de Estado. . Hoje, o Banco de Portugal veio fazer uma espécie de ponto de situação, que acaba por responder às preocupações de Cavaco Silva. A instituição liderada por Carlos Costa começa por lembrar as medidas acordadas com a 'troika', nomeadamente "o cumprimento de mínimos regulamentares para o rácio Core Tier 1 de 9% até ao final de 2011 e de 10% até ao final de 2012", e depois lembra que o reforço destes níveis foi decretado pela EBA (Autoridade Bancária Europeia) no seguimento do Conselho Europeu de 26 de Outubro. . Entre as indicações saídas dessa reunião está a obrigatoriedade de os grupos bancários acelerarem a recapitalização através do reforço dos "respectivos níveis de capitalização de forma a atingir, até 30 de Junho de 2012, um rácio Core Tier 1 de 9%", o que, explica o Banco, "requer níveis de capital significativamente superiores aos que decorrem dos requisitos regulamentares" aprovados no programa com a 'troika' e cujo objetivo era "criar uma 'almofada' temporária de capital e, em consequência, reforçar a solidez das instituições na actual situação de incerteza associada à crise da dívida soberana". . Tornando claro, assim, que o Banco de Portugal não impõe regras mais apertadas aos bancos portugueses, o supervisor financeiro acrescenta ainda, no que ao programa assinado com a 'troika' diz respeito, que ele será alvo de análise nas reuniões em curso entre as autoridades nacionais e as instituições internacionais que estão em Portugal a fazer a segunda avaliação à implementação das medidas. . "A conjugação destes requisitos bem como a consideração do impacto de outras medidas que possam afetar a situação dos bancos até ao final do ano serão naturalmente equacionadas" nestas reuniões, conclui o Banco.