Bancos Centrais vão “esperar para ver” duração da guerra antes de mexer nos juros
O “Banco Central Europeu vai começar por tentar perceber se este conflito é temporário ou não e os especialistas vão tentar entender as implicações subjacentes do mesmo. Não deverão reagir tão cedo. Na verdade, acredito que eles vão tentar aguentar o máximo possível e tentar não subir os juros”, referiu Bruno de Moura Fernandes, Diretor de Macroeconomia da Coface, durante uma conferência de imprensa nesta terça-feira, 3 de fevereiro. Os analistas da Coface fizeram, duas semanas depois de terem apresentado as suas perspetivas para 2026, uma atualização dessas previsões devido à guerra que, entretanto, estalou no Médio Oriente.
O diretor de Pesquisa Setorial e de Risco Político, Ruben Nizard, concorda. “Vai levar alguns meses até os bancos centrais reagirem. A próxima reunião [do BCE] é claramente muito cedo para reagir. Talvez no inicio do próximo semestre”, considerou. Os economistas chamaram a atenção para o facto de ser preciso, antes de mais, perceber se este é um conflito que estará terminado no prazo de duas ou três semanas - o que o mercado e a economia global conseguirão acomodar, apesar do embate, ou se será algo para durar no tempo, o que aumentará significativamente os riscos macroeconómicos, com o aumento da inflação e a travagem na atividade económica à espreita, “o que tornará um cenário de estagflação muito possível”, adiantou Moura Fernandes.
Membros do BCE reagem
Já durante a manhã de ontem, François Villeroy de Galhau, membro do BCE e governador do Banco de França,, tinha dito publicamente que “seria um erro [o BCE] precipitar-se para decidir um possível caminho de alteração nas taxas de juro”.
Apesar de os preços da energia já terem disparado nos mercados, é preciso aguardar para ver se os efeitos são passageiros ou não. E, como lembravam os analistas da Coface, “é preciso notar que apesar de tudo o preço do gás não está, sequer, perto do pico que atingiu em 2022”. Por isso mesmo, a dimensão das subidas de preço e o respetivo impacto ainda são desconhecidos mas, de acordo com Villeroy, este cenário não deve guiar as decisões de política monetária. O responsável francês recorda ainda que o BCE “terá previsões económicas atualizadas na próxima reunião, dentro de duas semanas”.
Recorde-se que, em resultado do conflito, o Irão fechou o estreito de Ormuz, por onde passa 20% a 25% do petróleo comercializado em todo o mundo. As forças iranianas atacaram ainda infraestruturas de produção de gás natural no Qatar, obrigando à interrupção dos trabalhos.
