O ambiente de taxas de juro mínimas que atualmente se vive na zona euro está a contaminar os depósitos a prazo "com condições especiais" dirigidos aos jovens. Há inclusive bancos que, no final de 2016, estavam a oferecer uma taxa de juro bruta de 0% em contas de poupança a um ano, revela o Banco de Portugal (BdP), que não identifica as instituições responsáveis por estas práticas.
Em 2016, a maioria (dois terços) dos depósitos a prazo dirigidos aos mais jovens paga pior quando se compara com as soluções de poupança a prazo dirigidas ao público em geral, que já de si são muito magras. Em 2015, essa proporção era menor (55%).
Recorde-se que a taxa de poupança das famílias portuguesas está, atualmente, no nível mais baixo dos últimos 18 anos, pelo menos, tendo colapsado para os 3,8% do rendimento disponível no primeiro trimestre deste ano, indicou o INE em junho. A poupança dos jovens pela via depósito bancário, que esteve muito em voga no passado, oferece hoje condições pouco aliciantes.
De acordo com o relatório de acompanhamento das condições praticadas pela banca de retalho que opera em Portugal, publicado esta quinta-feira pelo BdP, a proposta mais generosa que os jovens podem encontrar no mercado (prazo de um ano) corresponde a uma taxa de juro bruta (Taxa Anual Nominal Bruta ou TANB) próxima de 0,9%, o que significa que os respetivos clientes jovens estarão a ser remunerados com um juro inferior a esse, depois de descontadas certas comissões e outros extras.
Mas, diz o Banco de Portugal, há pior. Há bancos que oferecem produtos (depósitos) de poupança jovem com taxas de juro de 0% ou muito próximas de 0%.
Em termos de taxas de juro brutas aplicadas, a esmagadora maioria dos depósitos para jovens não se distingue dos depósitos dirigidos aos mais crescidos, a quem o Banco de Portugal chama de "público em geral".
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Fonte: Banco de Portugal[/caption]
Juros magros e mínimos
Em dezembro de 2016, a totalidade dos depósitos para jovens tinha uma TANB igual ou inferior a 1% e 69% apresentavam uma taxa de remuneração igual ou inferior a 0,5%, proporção que compara com 71,7% dos depósitos para o público em geral", constata o banco central.
"Cerca de dois terços dos depósitos para jovens apresentavam uma taxa de remuneração inferior à TANB média dos depósitos para o público em geral, para o mesmo prazo (55% em 2015)", revela o supervisor.
"Comparativamente aos depósitos para o público em geral, os depósitos para jovens comercializados, no final de 2016, tinham mais frequentemente prazos mais curtos e montantes mínimos de constituição menos exigentes", explica o BdP no estudo.
"Estes depósitos [para jovens] apresentavam também uma maior flexibilidade, em termos de possibilidade de reforço e de renovação. Contudo, a percentagem que permitia a mobilização antecipada do capital aplicado era menor nos depósitos destinados a jovens do que nos depósitos para o público em geral".
Com a remuneração dos depósitos a prazo complemente esmagada, a alternativa de poupança para os jovens passará mais produtos de taxa fixa como certificados de aforro ou do tesouro, um produto com risco relativamente baixo, atualmente.
Ainda assim, note-se que este tipo de poupança baseada em dívida pública portuguesa poderá estar na linha da frente caso o país entre em bancarrota novamente. Será mais facilmente alvo de cortes na remuneração e no capital investido, o chamado "haircut" da dívida.