Banif dispara mais de 20% e recupera de mínimo histórico

Ações recuperam do valor mais baixo de sempre atingido ontem: 0,0019 euros. Capacidade em devolver ajuda estatal, rácios e rentabilidade preocupam investidores
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Depois da tempestade a bonança. Esta parece ser a sina do Banif no mercado de capitais. Os títulos do banco liderado por Jorge Tomé fixaram ontem um novo recorde, ao atingirem o valor mais baixo de sempre: 0,0019 euros. Ou seja, 0,19 cêntimos ou 1,9 décimas de cêntimo. Hoje, o cenário é bem diferente, com as ações a dispararem mais de 20%.

Contas feitas, os papéis do banca valorizam 22,7% para os 0,0027 euros, valor que avalia o Banif em 123 milhões de euros.

Apesar da recuperação, o Banif apresenta saldos negativos em vários horizontes temporais. Se na semana a desvalorização ascende a 4%, no mês a queda aumenta para 25%. Mas o descalabro surge quando analisado o desempenho desde o arranque do ano: 53%.

Mas o que tem penalizado fortemente a cotação do banco? Os receios dos investidores em torno da sua rentabilidade, nomeadamente quanto aos rácios de capital, e sobretudo a capacidade do banco em reembolsar a ajuda estatal. Recorde-se que o Estado injectou 700 milhões de euros de capital no Banif em 2013 e recapitalizou o banco com 400 milhões de euros em dívida subordinada de conversão contingente (CoCo's).

Apesar de ter recomprado 275 milhões de euros de CoCo's entre 2013 e 2014, o Banif deveria ter pago no final do ano passado 125 milhões de euros correspondentes à última fatia do empréstimo de 400 milhões. No entanto, não o fez e surgem dúvidas se conseguirá fazê-lo e o que irá fazer o Estado, que detém 60,5% do capital do banco. Caso o Estado decida transformar esses títulos de dívida em capital, as posições dos outros acionistas serão fortemente diluídas.

E, por não ter conseguido pagar a última tranche de 125 milhões, o Banif viu ser atrasada a aprovação do seu Plano de Reestruturação por parte da Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia.

Na próxima segunda-feira, o Banif apresenta os resultados relativos aos primeiros nove meses do ano depois de, no primeiro semestre, ter arrecadado lucros de 16,1 milhões de euros.

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