"É a espuma dos dias". "Um tema pouco útil". "Uma questão política". Foi assim que alguns dos líderes dos principais bancos reagiram às polémicas em torno do livro do antigo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. Por esses motivos, garantem que não vão perder tempo a ler o livro que foi lançado esta semana, até porque não consideram saudável "voltar ao passado", preferem "olhar em frente".
"Não li o livro, e não pretendo ler", comentou João Pedro Oliveira, durante a conferência Banca do Futuro, organizada pelo Jornal de Negócios, que decorreu esta quarta-feira. O CEO do BPI sublinhou que esta afirmação não pretende desrespeitar ninguém, mas simplesmente prefere "olhar para a frente". "Já houve comissões de inquérito à banca, onde algumas pessoas se esqueceram de tomar Memofante'', referiu.. Hoje, estamos mais preocupados em resolver os problemas dos cliente". E foi mais longe: "Gosto de perder tempo em coisas úteis, [mas] este não parece ser um assunto muito útil", acrescentou.
O presidente executivo do Santander, também garantiu que não vai ler o livro até porque tem "ainda menos tempo" do que o CEO do BPI, uma vez que o banco que lidera é maior, brincou Pedro Castro e Almeida. "A minha maior preocupação é chegar a casa para jantar com as minhas filhas". "Também não vou ler o livro", reforçou. "Temos de andar para a frente e há tanta coisa para fazer. Não vou investir o meu tempo nesta questão, até porque "não sou político, o que está aqui é uma questão política".
Já Miguel Maya referiu que tem lido algumas partes do livro pelos jornais e irá ler apenas as passagens que estiverem relacionadas com o BCP. O banqueiro preferiu não fazer comentários específicos, mas aproveitou para abordar a questão de "outra perspetiva".
"A questão não é se há pressões, é se somos independentes para resistir às pressões. Eu sou dono das minhas palavras, silêncios e atuações", arrematou.
Por sua vez, Mark Bourke, revelou em inglês que não leu o livro até porque a única versão está em português, o que seria bastante desafiante, disse em tom de brincadeira o novo presidente executivo do Novo Banco. E tal como os restantes banqueiros que participaram no painel, prefere "olhar e seguir em frente".
Questionado sobre se o livro de memórias de Carlos Costa trazia uma pressão adicional à banca, José João Guilherme, administrador executivo da CGD, comentou que as polémicas são apenas "a espuma dos dias" própria da "agenda mediática". Por isso, optou por não fazer mais comentários, preferindo destacar a atual situação robusta e sólida do setor.