Barragem de Laúca anima construtoras portuguesas em Angola

Esta semana, a adjudicação de mais 730 milhões de euros de obra na segunda maior barragem de Angola, em Laúca, foi motivo de comemoração para a brasileira Odebrecht e para as portuguesas subcontratadas.
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A incerteza e a preocupação têm sido habituais, este ano, entre os trabalhadores e as empresas de construção em Angola. Com a crise no petróleo, o país travou a fundo nos investimentos públicos em estradas, escolas e outras obras necessárias à reconstrução, originando inclusive despedimentos entre os construtores.

A Somague Angola, a Teixeira Duarte, a EPOS, a Tecnasol, a Ibergru e a COBA são algumas das empresas portuguesas a laborar no mega-empreendimento de 3,7 mil milhões de euros, dos quais 132 milhões de dólares (cerca de 123 milhões de euros) contratados à Odebrecht que, por sua vez, contratou as portuguesas para 5% das empreitadas.

Esta semana, o governo angolano aprovou mais um contrato para o projeto de xecução, fornecimento, construção e colocação em serviço do sistema de transporte de energia associado à barragem de Laúca.

“A barragem de Laúca, a maior obra de engenharia em curso no país - e segunda maior barragem em construção no continente africano tem sido um exemplo de sucesso de cooperação de empresas dos países lusófonos. Esta é uma obra importante para a economia angolana e para todos os intervenientes no projeto: empresa brasileira, empresas angolanas e empresas portuguesas”, comentou Wagner Santana, responsável pela execução da nova fase de obras.

Para as empresas portuguesas, Angola representa cerca de 40% da faturação em mercados externos, o que significa pelo menos dois mil milhões de euros anuais, de acordo com estimativas da AECOPS - Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços.

A barragem de Laúca, cuja construção se iniciou há cerca de 18 meses, deverá produzir mais de dois mil megawatts de energia já em 2017. O projecto inicial incluia três contratos: o do desvio do rio Kwanza, a construção da obra principal e a componente electromecânica. A construção está já praticamente a 50% de concretização e só em betão envolverá o equivalente à edificação de 40 estádios de futebol, 2.800 casas ou 465 edifícios de oito pisos, explica a Odebrecht.

Dos mais de sete mil trabalhadores que, atualmente, vivem no maior estaleiro de obras de Angola, em Laúca, cerca de 820 são portugueses, entre os quais 145 técnicos e engenheiros. Os trabalhadores dispõem de cinema, ginário, banco, supermercado, lan house com acesso à internet e jogos de vídeo, sala de jogos, cozinha e refeitório para 15 mil refeições diárias e até uma estação de tratamento de águas só para a obra. Entre portugueses, brasileiros e angolanos, nos trabalhos da barragem, o português é a língua dominante.

Nos anos mais recentes, as empresas de construção lusitanas e a engenharia portuguesa têm estado envolvidas em projetos de obras públicas particularmente emblemáticos em Luanda, como a recuperação da Fortaleza de São Miguel, concluída pela Soares da Costa, ou as obras do novo edifício da Assembleia Nacional, a cargo da Teixeira Duarte, e a requalificação da marginal de Luanda e da ilha do Cabo, do consórcio Mota Engil/ /Soares da Costa.

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